BBB26 mostra como homofobia e misoginia são ferramentas de violência

Para ofender Juliano, Jonas questiona a sexualidade e usa características femininas como xingamento

Por Juliana Morales 3 fev 2026, 15h38 •
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Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ de São Paulo fez uma queixa-crime no Ministério Público do Estado de São Paulo contra Jonas Sulzbach na última segunda-feira (2). Ele é acusado de homofobia pelo uso de expressões consideradas pejorativas durante discussão com Juliano Floss no BBB26.

Em uma das brigas durante o programa, Jonas se refere a Juliano como “loirinha”. Após o episódio, a equipe de Floss usou as redes sociais para criticar a postura homofóbica do participante. “Por que o Jonas recorre a adjetivos femininos para tentar ofender os homens da casa?”, questionou a publicação.

“A homofobia está ligada ao modo como as pessoas percebem as diferenças entre homens e mulheres. Isso quer dizer que, independentemente da orientação sexual, são as roupas, os trejeitos e os estereótipos de masculino e feminino que suscitam os preconceitos”, continuou. A equipe ainda ressaltou que “Juliano é um homem hétero” e “o fato de Jonas acreditar que chamá-lo de ‘loirinha’ seja ofensivo diz muito mais sobre quem ‘ofende’ do que sobre quem é ‘ofendido'”.

Os dois participantes voltaram a discutir nesta segunda-feira (2), e dessa vez, Jonas buscou ofender Juliano dizendo que ele “nunca terá testosterona” e que o influenciador possui progesterona, um dos principais hormônios produzidos no corpo da mulher. 

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Não é só homofobia

Dentro do contexto heteronormativo do qual a sociedade está, questionar a sexualidade e apontar características femininas para chamar um homem de gay é uma forma comum usada para humilhar ou descredibilizar. Carol Jesper, professora de português e criadora de conteúdo, fez um vídeo analisando as falas e trazendo reflexões sobre o tema.

“Eu vi várias pessoas chamando isso de homofobia. E, de fato, quando ele olha para um cara e chama de ‘loirinha’, de alguma maneira, ele está querendo passar a ideia de que esse homem não atingiu o nível esperado de masculinidade, portanto, ele está insuficiente”, explica. Mas, segundo Carol, não existe apenas essa “suposta homofobia”, ela aponta que o caso está associado fortementa a uma suposta misoginia.  

“A misoginia é o desprezo contra as mulheres, e ela fica muito clara quando se escolhe como ofensa qualquer característica associada a ser mulher”, explica. Ela acrescenta que “muito provavelmente Jonas não pensou sobre o que ele está fazendo”, mas que ele suas falas “trazem a visão que se tem culturalmente do que significa ser mulher nesse esteriótipo negativo de fragilidade, de emotividade, de submissão e está usando isso como inferior.”

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Já tinha pensado no que está por trás das falas do participante no BBB?

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