Barcellos fala sobre exposição, internet e novos rumos profissionais

A semifinalista do Corrida das Blogueiras 7 reflete sobre representatividade nordestina, pressão do reality e como o programa mudou sua vida

Por Arthur Ferreira 14 jan 2026, 18h32 •
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sétima temporada do Corrida das Blogueiras chegou ao fim nesta terça-feira (13) com a coroação de Kitty Kawakubo como grande vencedora, mas a trajetória de Barcellos — nome artístico de Marina Barcellos —rendeu discussões ao longo do reality.

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Última eliminada antes da grande final, a influenciadora deu uma entrevista exclusiva à CAPRICHO antes do episódio decisivo, na qual falou sobre sua eliminação, os desafios emocionais do reality, o hate nas redes e a virada de chave que viveu após o programa.

Natural de Campina Grande, na Paraíba, Barcellos se destacou não só pelas habilidades técnicas em maquiagem, mas também pelo discurso de representatividade e pelas pautas que levantou ao longo da competição — como o preconceito contra o sotaque nordestino e a falta de oportunidades fora do eixo Rio-São Paulo.

“Foi uma virada de chave na minha vida”

Barcellos conta que assistir ao próprio desempenho na TV foi um processo intenso, mas também transformador. “Mesmo sendo eliminada, eu senti que ali aconteceu uma virada de chave na minha vida”, afirmou. Segundo ela, o fim das gravações trouxe uma sensação de encerramento e conquista. “Foi um momento de finalização. Cada pessoa ali passou por provas em que precisou se superar, e comigo não foi diferente.”

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Apesar da saída antes da final, a influenciadora diz que encarou o resultado com maturidade. “Achei justo. Madrinha, Mady e Kitty foram personagens icônicas da temporada. Não tem como pensar na sétima edição sem lembrar delas”, declarou.

Da dança à maquiagem: uma trajetória construída aos poucos

A relação de Barcellos com a maquiagem começou cedo e de forma muito prática. Bailarina desde os três anos de idade, ela aprendeu a se maquiar sozinha ainda criança, já que a família não podia pagar por maquiagem profissional para as apresentações. “Minha mãe não podia bancar, então eu aprendi a fazer o básico com o que ela tinha”, relembra.

O hobby virou possibilidade de carreira ainda no ensino médio, quando uma tia percebeu seu talento e a presenteou com um curso profissional. Mesmo assim, Barcellos seguiu outro caminho inicialmente: formou-se em Dança, em Salvador. Foi só durante a pandemia que a maquiagem voltou a ocupar um espaço central em sua vida. “Trancada em casa, comecei a criar conteúdo, testar coisas novas e foi aí que percebi que a maquiagem poderia se tornar minha carreira — e se tornou.”

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Como criadora de conteúdo, ela não romantiza os bastidores da internet. Para ela, os maiores desafios estão nos momentos de bloqueio criativo e esgotamento. “Tem horas que você produz tanto que não sabe se é falta de ideia ou só cansaço”, explica. Outro ponto sensível é a desvalorização do trabalho. “Muita gente ainda acha que é ‘só um videozinho’, questiona preço, não entende que isso é um trabalho de verdade”, diz.

Hate, exposição e aprendizado

Nos primeiros episódios do Corrida, Barcellos enfrentou uma onda de comentários negativos nas redes, algo que, segundo ela, já era esperado, mas nunca fácil de lidar. “A gente sabe que pode acontecer, mas ninguém está realmente preparado”, confessa.

Apesar de ter se abalado em um primeiro momento, ela conta que aprendeu a filtrar. “O mais importante é ter certeza de quem você é e do que fez. A partir disso, os comentários viram só comentários, não algo que me paralisa.”

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Outro momento marcante da trajetória de Barcellos no reality foi o depoimento sobre xenofobia. O assunto já fazia parte do seu discurso antes mesmo do programa. “Isso é algo que eu já falava antes do Corrida. Inclusive, estava no meu vídeo de inscrição”, explica. Após o episódio ir ao ar, as mensagens que recebeu só reforçaram a importância do tema. “Recebi relatos dos mais sutis aos mais escancarados. É impressionante como isso ainda é normalizado”, afirma. “Como criadora de conteúdo, eu sei que falar sobre isso faz diferença.”

“Me senti uma it-girl”

Se o hate veio, o carinho também chegou — e em peso. Barcellos destaca que uma das experiências mais marcantes da temporada foi ver pessoas reproduzindo suas maquiagens. “Teve gente dizendo que voltou a se maquiar por minha causa, que entendeu que maquiagem não precisa seguir padrão”, conta. “Foi incrível. Eu me senti uma verdadeira it-girl.”

O que ficou de fora e o que fica para o futuro? “Acho que faltou mostrar mais da minha espontaneidade. Eu sou comunicativa, mas também sou tímida. Preciso de um tempo para me soltar”, diz. Ainda assim, ela enxerga o reality como um ponto de recomeço. “O Corrida foi um respiro, uma alavanca que me trouxe de volta o fôlego e a perspectiva”, afirma.

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