Do clássico ao caos: o guia das adaptações de O Morro dos Ventos Uivantes
Da versão muda de 1920 à polêmica estreia de Emerald Fennell com Margot Robbie e Jacob Elordi, tudo o que já passou (e ainda vai passar) pelas telas
repare o look de época, porque o vento está voltando e mais forte do que nunca. O Morro dos Ventos Uivantes, o romance tempestuoso de Emily Brontë, está prestes a ganhar mais uma releitura para o cinema, e desta vez com assinatura de peso: Emerald Fennell dirige a nova adaptação, que estreia nos cinemas brasileiros em 12 de fevereiro.
A produção já chega cercada de buzz. Margot Robbie vive Catherine Earnshaw e Jacob Elordi assume o papel de Heathcliff em uma versão descrita por primeiras reações como “sexy” e “perturbadora”, distante do romantismo de época tradicional e mais próxima do lado obsessivo, cruel e destrutivo da história. Fennell também assina o roteiro.
Mas nem tudo são suspiros: a escalação de Elordi reacendeu debates sobre a etnia de Heathcliff. No livro, Brontë o descreve como um “cigano de pele escura”, sugerindo origem não branca, possivelmente ligada às populações portuárias de Liverpool.
Historicamente, Hollywood “embranqueceu” o personagem em quase todas as versões (1939, 1970, 1992 e 2009). A exceção marcante veio em 2011, quando Andrea Arnold escalou o ator negro James Howson, aproximando-se mais da descrição original e reforçando o tema da marginalização social.
Mesmo com a polêmica, o trailer da nova versão já soma milhões de visualizações e a expectativa é alta, inclusive no radar da temporada de prêmios de 2026/2027, dado o prestígio dos protagonistas e de Fennell (vencedora do Oscar por Bela Vingança).
Um clássico que nunca sai de moda
Desde 1920, quando o cinema ainda era mudo, O Morro dos Ventos Uivantes vem sendo reinterpretado por diretores de diferentes países e estilos. O triângulo trágico entre Catherine, Heathcliff e Edgar já passou por Hollywood, México, Índia, Japão, França e Filipinas — provando que o drama de Brontë atravessa culturas e séculos.
Entre todas, a versão de 1939, dirigida por William Wyler e estrelada por Laurence Olivier e Merle Oberon, segue como a mais icônica. Indicada a oito Oscars, levou o prêmio de Melhor Fotografia e ajudou a cristalizar a imagem romântica do casal, já que o filme adapta apenas a primeira metade do livro.
As 11 adaptações principais
- Wuthering Heights (1920) — Cinema mudo pioneiro; acredita-se que tenha coberto toda a história, mas não há cópias confirmadas.
- O Morro dos Ventos Uivantes (1939) — Clássico absoluto de Hollywood e inspiração para a música homônima de Kate Bush.
- Escravos do Rancor (1954) — Releitura mexicana de Luis Buñuel, parcial e autoral.
- Dil Diya Dard Liya (1966) — Versão Bollywood que adapta o espírito da trama ao contexto indiano.
- O Solar dos Ventos Uivantes (1970) — Explora a hipótese de Heathcliff como filho ilegítimo de Earnshaw.
- Hurlevent (1985) — Leitura francesa mais psicológica e ambígua.
- Arashi ga oka (1988) — Japão feudal, estética teatral e espiritualidade.
- Hihintayin Kita sa Langit (1991) — Adaptação filipina fiel em essência, com mudanças de cenário.
- O Morro dos Ventos Uivantes (1992) — Ralph Fiennes em sua estreia no cinema.
- O Morro dos Ventos Uivantes (2011) — Andrea Arnold entrega uma versão crua, sensorial e premiada em Veneza.
- O Morro dos Ventos Uivantes (2026) — A leitura provocativa de Emerald Fennell com Robbie e Elordi.
E Kate Bush no meio disso?
Impossível falar do legado da obra sem citar Wuthering Heights (1978), single de estreia de Kate Bush. A canção narrada do ponto de vista do fantasma de Catherine chegou ao topo das paradas britânicas e fez história como a primeira música escrita e cantada por uma mulher a liderar o ranking no Reino Unido. O clipe, entre névoa e dança dramática, virou ícone pop.
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