Por que Fernanda Torres no Oscar 2025 é uma ‘redenção’ para brasileiros

Aclamada por Ainda Estou Aqui, a atriz desponta como favorita, reacendendo debates sobre a relevância do prêmio para o Brasil.

Por Arthur Ferreira 21 nov 2024, 12h50 | Atualizado em 22 nov 2024, 15h30
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repercussão em torno de Fernanda Torres como uma das favoritas ao Oscar 2025 na categoria de Melhor Atriz reacendeu a emoção e o orgulho dos brasileiros, mas também trouxe à tona um sentimento de “justiça histórica”.

A atriz brilha em Ainda Estou Aqui, filme dirigido por Walter Salles, e sua performance tem conquistado o público e a crítica internacional. No entanto, para os brasileiros, essa possível vitória carrega um simbolismo que vai além do reconhecimento individual: é também uma chance de corrigir a frustração nacional vivida em 1999, quando Fernanda Montenegro foi indicada e perdeu a estatueta.

Em coletiva de imprensa, Fernanda Torres abordou o impacto do projeto e a relevância de sua candidatura, mantendo um tom de celebração cautelosa. “Esse filme já está ocupando o que ele está ocupando, as críticas… A gente tá na shortlist de coisas muito grandes pro tal do Oscar, que parece ser a fronteira final! Nós temos grandes chances de estar entre os filmes estrangeiros. Estamos trabalhando para outras categorias.”

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O filme já é um acontecimento pra gente! O Oscar é muito importante por várias questões, mas também não é a medida de tudo

Fernanda Torres sobre "Ainda Estou Aqui"

No último domingo (17/11), o perfil oficial da Academia publicou nas redes sociais uma foto de Fernanda Torres durante o Academy Governors Awards, acompanhada da legenda: “She is MOTHER” (Ela é MÃE, em tradução livre). O termo, amplamente usado na cultura pop, é usado para enaltecer figuras femininas que se tornam ícones e se destacam na mídia.

A postagem viralizou, com brasileiros lotando os comentários em apoio à atriz e ao filme Ainda Estou Aqui. Entre as mensagens de carinho, um seguidor sintetizou o sentimento nacional: “Ela é uma FILHA. A mãe vocês roubaram em 1999.”

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Fernanda Montenegro fez história ao se tornar a primeira atriz latino-americana indicada ao Oscar de Melhor Atriz por seu papel em Central do Brasil, também dirigido por Salles. Considerada uma das favoritas na época, a atriz entregou uma atuação profundamente emocional que marcou o cinema mundial.

Contudo, a vitória acabou nas mãos de Gwyneth Paltrow, por Shakespeare Apaixonado, em uma decisão que até hoje é vista como controversa. Muitos acreditam que o resultado foi influenciado por campanhas agressivas de marketing conduzidas por estúdios, prática comum no Oscar, mas que deixou um sabor amargo para os brasileiros.

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Agora, mais de duas décadas depois, Fernanda Torres, filha de Montenegro, aparece como uma nova esperança de levar a tão sonhada estatueta para o Brasil.

Com a possibilidade da indicação repercutindo nas redes sociais, algumas pessoas recuperaram uma declaração de Fernanda Torres sobre o Oscar em 1999, mesmo ano em que sua mãe foi indicada. “O Oscar é a festa da injustiça. Se derem para a mamãe e para o filme, ponto para eles. Ultimamente, eu chamo a mamãe de nosso astronauta John Glenn. Ela rumo ao espaço.”

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“Me dá [frio na barriga] muito menos pelo Oscar e muito mais por ela ter feito esse filme. Pelo Brasil ter produzido esse filme a altura do talento dela. Ela disse uma coisa tão bonita esses dias em entrevista: ‘Nós somos maiores que o Oscar. O Oscar é uma festa típica americana, como o Carnaval é nosso'”.

Enquanto isso, Ainda Estou Aqui já ultrapassou a marca de 1 milhão de espectadores nos cinemas brasileiros, consolidando-se como um dos maiores sucessos de bilheteria do ano no país. Esse feito é particularmente significativo em um cenário em que o cinema nacional luta para atrair público diante da concorrência com grandes produções internacionais e desafios econômicos.

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Aproveita esse embalo do Ainda Estou Aqui e vai para outros filmes brasileiros com a sua família.

Fernanda Torres sobre "Ainda Estou Aqui"

O impacto do filme nas salas de cinema reforça o poder das histórias brasileiras em se conectarem profundamente com o público local. Independentemente do resultado no Oscar, esse retorno expressivo prova que o verdadeiro reconhecimento está nos espectadores, onde o cinema nacional encontra sua maior vitória.

Baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva* sobre a história da própria família, Ainda Estou Aqui acompanha a emocionante jornada de Eunice Paiva, que precisa lidar com o desaparecimento de seu marido, Rubens Paiva (Selton Mello). A história se passa no início da década de 1970, o Brasil enfrenta o endurecimento da ditadura militar.

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