Five Nights at Freddy’s 2 é para fãs dedicados (e o restante que se vire)
Com muitos jumpscares e várias referências da lore do jogo, sequência aposta no caos para expandir o universo dos animatrônicos
e você achou que já tinha sobrevivido ao turno da noite em 2023, Five Nights at Freddy’s 2 chega para provar que o universo de FNAF tem fãs suficientes para lotar salas de cinema — mesmo que quem não acompanha a lore gigantesca dos jogos fique um pouco perdido no caminho.
A continuação, que estreia nesta quinta-feira (4), retoma diretamente o pesadelo da Freddy Fazbear’s Pizza… e eleva o nível de caos em pelo menos três camadas.
A trama se passa um ano depois dos eventos do primeiro filme. Desde então, as histórias sobre o restaurante viraram lenda urbana e até renderam o primeiro Fazfest da cidade. Enquanto isso, Mike Schmidt (Josh Hutcherson) e Vanessa Shelly (Elizabeth Lail) tentam esconder da pequena Abby (Piper Rubio) a verdade por trás dos animatrônicos.
Só que os brinquedos, obviamente, não estão querendo ser esquecidos e chamam a menina de volta — desencadeando mais confusão, maldições antigas e reviravoltas suficientes para um bingo de plot twist.
Fan service? Temos. Mas conexão com o público casual… nem tanto.
Para quem entende a cronologia, os jogos, os livros e as tramas paralelas, o filme entrega momentos legais. Na sessão, foi fácil identificar os super fãs surtando com cada piscadinha de referência.
Agora, para quem chega só com as informações do primeiro filme, a experiência pode ser parecida com assistir apresentação escolar de uma turma que você não conhece: você entende o básico, mas claramente está perdendo várias piadas internas. A narrativa corre, some, reaparece e, às vezes, parece implorar para o espectador só aceitar e seguir adiante.
Assim como no primeiro longa, o terror é leve, sem nada gráfico. O que domina mesmo são os jumpscares — e muitos. Tipo… muitos mesmo. E embora vários sejam eficientes, chega uma hora em que até o público começa a antecipar o susto. O resultado é um filme que vive de pequenas explosões de adrenalina, mas não constrói tanto quanto poderia.
O roteiro não ajuda
Josh Hutcherson segue sendo um charme ambulante. Mesmo preso em um roteiro enrolado, é difícil não torcer por ele. Já Elizabeth Lail, como Vanessa, encarna uma personagem cheia de traumas, segredo e zero carisma — o que até pode ser proposital, mas não deixa a experiência menos cansativa. Uma das cenas mais interessantes do filme, aliás, é o sonho dela com o pai, William Afton (Matthew Lillard), que traz uma vibe mais psicológica e até ambiciosa. Pena que o resto não acompanha.
Piper Rubio retorna como Abby e mantém a boa dinâmica com o irmão, ainda que o roteiro insista em entregar para a personagem as decisões mais discutíveis. Ela irrita, sim, mas a atriz continua mostrando potencial.
Já Mckenna Grace aparece como Lisa, uma influenciadora que se torna alvo de Charlotte. A atriz, que começou a carreira ainda criança e hoje, aos 19 anos, vive um momento de ascensão em Hollywood, vem expandindo cada vez mais seu espaço: este ano estrelou a comédia romântica Se Não Fosse Você, está confirmada em Pânico 7 e também no próximo Jogos Vorazes.
Nesse momento da carreira em que todo mundo quer te escalar, aceitar um papel em uma franquia de sucesso parece quase uma etapa obrigatória. Talvez seja por isso que ela está aqui. E, sinceramente? Se ela realmente se firmar como um dos grandes nomes da geração, existe o risco real de este ser aquele filme que ela lembra com um certo constrangimento. A outra opção é pior: ficar presa nesse tipo de produção para sempre — e torcemos para que não seja o caso.
Dirigido por Emma Tammi, o longa entrega boas ideias visuais aqui e ali, mas nada que salve o excesso de informações, as reviravoltas atropeladas e a narrativa que não se decide se quer ser terror, drama familiar ou uma grande reunião de fãs.
Para compensar, a produção investe forte em números: as projeções indicam que o filme pode quebrar recorde de bilheteria pós-Dia de Ação de Graças, podendo chegar a até US$ 80 milhões nos primeiros dias. Ou seja… assim como os fãs da Taylor Swift dão streams e quebram recordes para qualquer coisa que a cantora lance independente da qualidade do material, o público de FNAF vai aparecer nos cinemas nos próximos dias.
E sim: tem gancho para o terceiro filme. O Golden Freddy está chegando, e aparentemente ninguém vai conseguir fechar o turno tão cedo.
+Quer receber as principais notícias da CAPRICHO direto no celular? Faça parte do nosso canal no Whatsapp, clique aqui.





