O que esperar de ‘A Noiva’, mas sem Frankenstein, de Maggie Gyllenhaal

Nova releitura coloca personagem feminina no centro da história e promete fazer dela uma noiva em busca de ser alguém, e não "de alguém".

Por Andréa Martinelli Atualizado em 17 jan 2026, 14h53 - Publicado em 17 jan 2026, 14h47
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trailer de A Noiva acabou de ser lançado, mas só a ideia da existência do filme já vinha despertando atenção bem antes disso. Dirigido por Maggie Gyllenhaal, o longa revisita um dos maiores ícones do cinema de terror, Frankenstein, sob um novo ponto de vista: o da própria noiva, agora protagonista de uma história que fala sobre identidade, autonomia e o direito de escolher quem se é.

“Quando comecei a pensar em A Noiva, eu não estava interessada em refazer um filme clássico simplesmente por refazê-lo. O que me chamou atenção foi aquela imagem específica: a noiva acorda, olha ao redor e diz não. Ela rejeita imediatamente o papel que foi criado para ela. Aquilo sempre me pareceu um gesto radical, mesmo sem palavras”, afirma Gyllenhaal em encontro com a imprensa no qual a CAPRICHO acompanhou na última semana.

Maggie, que já mostrou sua força como diretora em A Filha Perdida, baseado no livro da escritora italiana Elena Ferrante, aposta novamente em personagens complexas e desconfortáveis. 

O elenco reforça o peso do projeto, com nomes fortes que vão desde Annette Bening, Penélope Cruz, Christian Bale (que, sim, é seu Frankenstein no longa) e até seu próprio irmão Jake Gyllenhaal. A protagonista, interpretada por Jessie Buckley, surge no trailer como uma figura poderosa e, ao mesmo tempo, perturbadora, longe da imagem passiva que marcou o imaginário por décadas.

Um clássico famoso por uma personagem quase silenciosa

Lançado em 1935, A Noiva de Frankenstein entrou para a história do cinema por sua estética marcante e pelo impacto cultural da personagem que dá título ao filme. Ainda assim, a Noiva aparece por poucos minutos, não tem falas e existe apenas como resposta ao desejo do monstro por uma companheira.

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Essa contradição sempre chamou a atenção de Maggie Gyllenhaal. Durante o webinar de apresentação do filme, a diretora afirmou que a imagem da noiva sempre pareceu carregada de algo não dito.

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Imagem do clássico do terror de 1935: A Noiva de Frankenstein. Domínio Público/Creative Commons/Reprodução

“Ela acorda e imediatamente rejeita o destino que escolheram para ela. Aquilo sempre me pareceu um momento incrivelmente poderoso”, disse Maggie. “Sempre senti que havia uma história inteira ali que nunca foi contada.”

Para a diretora, aquele “não” silencioso foi o ponto de partida para imaginar o que aconteceria se a história continuasse a partir dali.

A diretora quis contar o que acontece depois desse momento, se perguntar: “O que acontece quando uma mulher nasce em um mundo que já decidiu quem ela deve ser, o que deve desejar e como deve se comportar e ela simplesmente não concorda com isso?”. 

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Uma noiva com voz, desejo e conflitos

Em A Noiva, a personagem retorna à vida sem entender quem é ou por que foi criada. O filme acompanha sua tentativa de se expressar, se mover pelo mundo e construir identidade em um ambiente que espera obediência.

Segundo Maggie, a proposta foi deslocar o foco da criatura masculina para a experiência feminina. “Eu queria contar uma história sobre alguém que nasce já com expectativas impostas, sem consentimento, e precisa descobrir como existir fora disso”, explicou.

A Noiva promete discutir identidade, autonomia e o que significa ser criada para cumprir expectativas alheias e outros temas que permeiam o universo feminino até hoje.
A Noiva promete discutir identidade, autonomia e o que significa ser criada para cumprir expectativas alheias e outros temas que permeiam o universo feminino até hoje. Warner Bros/Divulgação

A diretora também destacou que personagens masculinos sempre tiveram espaço para explorar contradições, raiva, ambição e desejo, enquanto mulheres raramente ocupam esse lugar no terror. “Existe uma longa tradição de monstros homens cheios de camadas. Eu queria dar essa complexidade a uma mulher.”

Estética gótica com espírito punk

Visualmente, o filme mistura referências do terror clássico com uma linguagem mais contemporânea. A Noiva interpretada por Jessie Buckley surge com um visual intenso, maquiagem marcada e figurinos que fogem da ideia de fragilidade.

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Para Maggie, o estilo não é apenas estético, mas narrativo. “Ela não é delicada. Ela é confusa, intensa, às vezes feia, às vezes poderosa. E isso faz parte da jornada.”

Embora ambientado nos anos 1930, o filme não busca fidelidade histórica rígida. A diretora descreve o cenário como um passado reinventado, pensado para dialogar com o presente. “Não queríamos fazer um filme de época tradicional. Queríamos algo que parecesse vivo para quem está assistindo hoje.”

Por que A Noiva pode marcar a cultura pop em 2026

Mais do que um remake, A Noiva chega em um momento em que Hollywood revisita histórias antigas sob novos olhares – apesar de ainda reforçar, com narrativas antigas, o papel das mulheres na indústria.

Ao transformar uma personagem historicamente silenciosa em protagonista, o filme amplia o espaço para narrativas femininas no terror, um gênero que, por décadas, usou mulheres apenas como vítimas ou símbolos.

No fundo, é uma história sobre alguém que quer viver por conta própria. E isso é algo profundamente atual

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Maggie Gyllenhaal resume o projeto como uma tentativa de devolver humanidade à personagem. “No fundo, é uma história sobre alguém que quer viver por conta própria. E isso é algo profundamente atual.”

Com estreia prevista para 2026, A Noiva tem potencial para se tornar não apenas um dos filmes mais comentados do ano, mas também um novo marco na forma como a cultura pop revisita seus ícones.

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