Para Jacob Tierney, Heated Rivalry é sobre a ternura depois do erotismo
Em coletiva de imprensa, diretor fala sobre vulnerabilidade masculina, impacto cultural e a chegada da série ao Brasil
espera finalmente acabou: Heated Rivalry, um dos romances mais comentados dos últimos tempos, estreia no Brasil no dia 13 de fevereiro, pela HBO Max, com episódios lançados semanalmente às sextas-feiras. Para marcar a chegada da produção ao país, a CAPRICHO participou de uma coletiva com Jacob Tierney, diretor da adaptação do livro de Rachel Reid — e o que ele deixou claro desde o início é que a série vai muito além do rótulo de “romance quente”.
Ambientada no universo do hóquei profissional, a trama acompanha a relação intensa, secreta e duradoura entre Shane Hollander (Hudson Williams e Ilya Rozanov (Connor Storrie). Rivais públicos no gelo, amantes escondidos fora dele, os dois atravessam uma década de encontros furtivos, sentimentos mal resolvidos e escolhas difíceis em um esporte historicamente conservador.
Segundo Tierney, o sucesso inesperado da série — que já chega ao Brasil renovada para a segunda temporada — tem muito a ver com o tom emocional da narrativa. “É muito bonito ver a série ganhar uma voz tão cheia de alegria, sem julgamento, cheia de amor, sendo ouvida de forma tão clara e alcançando tão longe”, afirmou o diretor ao comentar a recepção global da produção.
Durante a conversa, o cineasta destacou como Heated Rivalry dialoga com algo universal: o sentimento de não pertencimento dentro de esportes que carregam forte identidade nacional. “A maioria dos países tem um esporte pelo qual é obcecada. No Canadá, é o hóquei. Para muitos de vocês, é o futebol. E acho que muitos de nós não nos sentimos incluídos nesses espaços”, disse.
Outro ponto forte levantado na coletiva foi a forma como a série lida com masculinidade, vulnerabilidade e intimidade. Tierney acredita que ainda existe pouco espaço para homens demonstrarem fragilidade — e que a história de Shane e Ilya ajuda a quebrar esse padrão.
Reconhecer sentimentos, medos e inseguranças não te torna menos nada. É importante que mulheres vejam homens sendo vulneráveis, e é importante que homens se vejam assim também.
Jacob Tierney
Ao falar sobre a adaptação dos livros, o diretor revelou que não se deixou pressionar pelo peso do fandom fiel da autora Rachel Reid. “Eu só tentei ser fiel ao que eu amava na história. Eu era um fã”, contou. Segundo ele, confiar no próprio olhar — e manter um diálogo próximo com a escritora — foi essencial para preservar a intensidade emocional que conquistou os leitores.
Mas foi ao abordar a recepção do público que Tierney revelou um dos aspectos mais chamativos da série. Ele explicou que o erotismo funciona quase como um convite, mas não como o destino final da narrativa. “O erotismo é uma isca. Ele atrai o público, mas o que realmente afeta as pessoas é o desejo, a saudade e a ternura que vêm depois”, disse.
Estamos acostumados a ver a ternura levando ao sexo, e não o sexo levando à ternura. A série inverte essa lógica.
Jacob Tierney
Essa inversão também ajuda a explicar por que o impacto emocional mais forte da temporada acontece longe das cenas mais explícitas. “O que realmente emociona são os episódios cinco e seis. Eles são profundamente ternos. O coração deles está sangrando. Eles querem desesperadamente ser amados”, destacou o diretor.
Claro que o marketing sensual da série também entrou na conversa. Tierney foi direto ao comentar a estratégia de divulgação, que explora o corpo dos atores e o desejo como parte do discurso. “Sim, sexo vende. Estamos na HBO — ninguém fica realmente surpreso”, brincou.
Apesar de admitir que nem ele nem os atores esperavam tamanha atenção sobre seus corpos, Tierney acredita que a repercussão positiva compensou. “Com tantas críticas boas, acho que valeu a pena”, disse.
Por fim, o diretor não poupou elogios aos protagonistas Hudson Williams e Connor Storrie. “Eles estavam sempre preparados — física e emocionalmente. Confiavam um no outro e se entregavam completamente”, afirmou. “Trabalhar com atores assim é um privilégio enorme.”
Com apenas seis episódios na primeira temporada — incluindo um capítulo que conquistou a raríssima nota 10/10 no IMDb —, Heated Rivalry chega ao Brasil cercada de expectativas, emoção e a promessa de que, no fim das contas, o que mais marca não é o desejo explícito, mas a ternura radical de dois homens aprendendo a amar em um mundo que nunca os ensinou como fazer isso.
+Quer receber as principais notícias da CAPRICHO direto no celular? Faça parte do nosso canal no Whatsapp, clique aqui.
Megan, do KATSEYE, responde críticas sobre acne e se conecta com fãs





