Identidade

PRAZER, SOU ALEXIA BRITO!

"Bota pó" conquistou a galera com o seu humor nas redes sociais, mas está aqui para falar sério sobre a mulher, livre e forte, em que se transformou.

por Juliana Morales 21 jun 2024 12h00
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inguém diria que aquele era o primeiro ensaio de capa de revista da vida dela. A jovem de 19 anos precisou de pouco tempo para se soltar e entregar tudo nas fotos que ilustram esta edição digital da CAPRICHO do mês de junho. 

Concentrada, ao som de Urias e Pabllo Vittar, a maranhense de Bacabal posava para a câmera, na realização de mais um sonho. “Quero muito que outras garotas, como eu, se encontrem nesta capa também”, comemora.

Sim, é ela: Alexia Brito, conhecida também na internet como bota pó, botinha, bota puere, botadora de pó. A influenciadora, que ganhou visibilidade por meio do humor, em meados de 2021, sendo meme, hoje traz para suas redes sociais, cada vez mais, conteúdos de moda ‒ paixão que nutre desde a infância ‒ e conversas relacionadas à causa LGBTQIAP+.

“Comecei na internet bem humorada e isso nunca vai morrer em mim, é a minha essência, mas também quero impactar as pessoas de outras formas.”

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Antes mesmo de ser a bota pó (apelido que veio da quantidade de maquiagem que usava) e um fenômeno na internet, aos 15 anos, em meio à pandemia, a jovem abriu uma live com mais de quatro mil pessoas e assumiu sua transição de gênero. 

“Contei que me via como menina e que a partir daquele momento eu não queria mais ser tratada no masculino”, relembra. Por dentro, ela já sabia que estava transicionando há um tempo, “mas foi chocante trazer o fato publicamente”.

A gente é tão diversa. Precisamos evoluir muito para sair desse lugar tão pequenininho que nos colocam a todo instante.

Alexia Brito, em entrevista para a CAPRICHO
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“Eu recebi várias mensagens de apoio de pessoas muito famosas, de artistas incríveis e eu agradeço muito por esse carinho. Mas também tomei muito hate e foi difícil ouvir pessoas falando que ‘eu’ não era ‘eu’”, conta. Apesar dessa ambiguidade, e do lado negativo, foi na internet que ela encontrou referências, como Urias e Erika Hilton. 

Alexia conta que, quando era criança, sempre gostou do universo feminino, só que não tinha em quem se inspirar. As referências que tinha eram extremamente caricatas, marginalizadas e sexualizadas. 

“Para mim, eu ia ser uma gay afeminada, vestida com roupas de mulher e nunca ia ser tratada no feminino”, diz. Viver em uma cidade do interior, como Bacabal, cidade com 103 mil habitantes, em que casos de violência e homicídio de pessoas trans são uma dura realidade, piorava a situação. 

Alexia Brito, conhecida como ‘Bota Pó’ nas redes sociais, é capa da CAPRICHO de junho/24.
Alexia Brito, conhecida como ‘Bota Pó’ nas redes sociais, é capa da CAPRICHO de junho/24. Jonathan Wolpert/CAPRICHO
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botinha veste:

saia: @boldstrap
polo: @boldstrap
underwear: @boldstrap
meia: @acervoyk
casaco: @boldstrap
óculos: @minhavotinha
brincos e anel: @swarovski @mktmix
sapato: @corellooficial @popcomm_
cinto ilhós: @acervoyk

Mas foi com o poder de aproximação da internet que ela conseguiu chegar mais perto de pessoas com lutas, vivências e histórias semelhantes às suas. E, com isso, também ser referência para outras garotas trans. “Sou muito aliada na causa LGBTQIAP+. E não teria como ser diferente: sou uma mulher trans e vivo no país que mais me mata”, diz.

Em 2023, foram registradas 155 mortes de pessoas trans no Brasil, sendo 145 casos de assassinatos e dez que cometeram suicídio após sofrer violências ou devido à invisibilidade trans. Com isso, o país é o lugar com mais mortes de pessoas trans e travestis no mundo pelo 14º ano consecutivo. (Segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra).

Diante da realidade brasileira, Alexia reconhece seus privilégios. “Sou uma mulher trans, mas sou branca, trabalho com publicidade, tenho uma fonte de renda”, afirma.

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Muitas mulheres transexuais não têm as mesmas oportunidades e estão pelas ruas, presas no lugar de miséria e sexualização que a sociedade insiste em limitá-las. “A gente é tão diversa. Precisamos evoluir muito para sair desse lugar tão pequenininho que nos colocam a todo instante”, defende.

Alexia Brito, conhecida como ‘Bota Pó’ nas redes sociais, é capa da CAPRICHO de junho/24.
Alexia Brito, conhecida como ‘Bota Pó’ nas redes sociais, é capa da CAPRICHO de junho/24. Jonathan Wolpert/CAPRICHO
botinha veste:

vestido: @dashausloja
brinco: @gammbabrasil
brinco: @carlospenna.design
bota: @acervoyk
anel: @swarovski @mktmix

Chegou até aqui? Vem ler a entrevista completa disponível no GoRead, maior banca de revistas digital do Brasil.

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