Adolescentes estão crescendo rápido demais (e o que podemos fazer sobre)
Estudo do Instituto Alana aponta que 77% das crianças e adolescentes já têm celular próprio, que mais da metade passa mais de 3 horas por dia conectada.
ocê, leitor e leitora de CAPRICHO já reparou como cada vez mais você mesmo, seus amigos que são crianças e adolescentes estão usando filtros, gírias e roupas pensadas para adultos? Ou como a sua (e nossa) galera está exposta a conteúdos e comportamentos que não têm nada a ver com a idade de vocês? Pois é, Isso tem nome: adultização, e ela acontece principalmente nas redes sociais e você provavelmente já ouviu esse termo. Neste ano, um vídeo feito pelo influenciador Felca não só denunciou situações de abuso, como impulsionou a aprovação do ECA Virtual no Congresso Nacional, que regulamenta o uso das redes.
Mas, calma, a gente te explica: esse papo não é sobre colocar culpa em ninguém — é sobre refletir e entender como proteger o momento de vida em que você está tem de mais precioso: a liberdade de ser criança, adolescente, jovem, e não antecipar nenhuma etapa.
A adultização acontece quando crianças e adolescentes são expostos a situações, estéticas e emoções que não acompanham seu desenvolvimento. Isso pode ser estético (como usar filtros de beleza e se maquiar para parecer mais velha), comportamental (agir como adultos para se sentir aceitos), emocional (lidar com crises sem maturidade) ou informacional (consumir conteúdos violentos ou sexualizados sem entender o contexto).
E onde tudo isso rola? Principalmente nas redes sociais.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Alana revelou dados que acendem o alerta sobre a questão. O estudo aponta que 77% das crianças e adolescentes já têm celular próprio, que mais da metade passa mais de 3 horas por dia conectada, e entre os adolescentes, esse número sobe para 68%; e, ainda, 73% estão ativamente nas redes sociais — e sim, isso inclui crianças de 8 a 12 anos. Plataformas como YouTube, WhatsApp, TikTok e Instagram lideram o ranking das mais usadas.
Mas e os pais nessa história? Então, segundo a pesquisa, muitos admitem que os filhos postam sem supervisão — o que pode abrir espaço para experiências negativas, como assédio (relatado por 16% das meninas de 13 a 15 anos – já falamos disso aqui, lembra?).
A pesquisa também mostra que: 82% dos pais acham que a principal responsabilidade é deles, mas 76% também esperam ação das plataformas, e 61% acreditam que o governo deve agir. Mas, ao mesmo tempo, só 22% dos pais usam ferramentas de controle parental em todos os dispositivos. Ou seja: ainda é preciso ter acesso à informação e orientação sobre o tema tanto para adultos quanto adolescentes.
Pra tentar equilibrar esse jogo, nasceu o projeto ECA Digital, uma proposta de atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente online.
A ideia é garantir que crianças e adolescentes tenham seus direitos preservados também na internet — com mais proteção, transparência e controle sobre o que estão consumindo. E o melhor: sem depender só dos pais ou só das empresas. A proposta é de responsabilidade compartilhada. E onde tudo isso rola? Principalmente nas redes sociais.
O instituto Alana, no estudo, ainda traz alguns pontos para todo mundo ficar atento ao tema. Entre eles, estão:
- Ficar atenta aos sinais de ansiedade, tristeza ou irritação após o uso excessivo das redes.
-
Falar abertamente sobre o que é saudável e o que é perigoso online com seus pais e responsáveis;
-
Cobrar que as plataformas assumam compromissos reais com a proteção da infância.
-
E, claro, defender a ideia de que ser criança e adolescente é um direito — não uma fase pra ser pulada, ok?
No fim do dia, você ainda vai ter muito mais tempo para ser adulto, ok?
+Quer receber as principais notícias da CAPRICHO direto no celular? Faça parte do nosso canal no Whatsapp, clique aqui.





