Ser menina e negra no Brasil é estar em constante situação de risco
Talvez você não saiba, mas meninas como você, de até 13 anos, são 60% das vítimas de estupro no país. A gente te explica.
ais de 44 mil meninas de até 13 anos foram vítimas de estupro no Brasil em 2024, a maioria delas, negras. Esses dados alarmantes fazem parte do 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública — um estudo super amplo e importante — que mostra um cenário que se repete há anos: ser menina e negra no país é estar em constante situação de risco, inclusive dentro de casa.
No total, segundo o estudo, o Brasil registrou 82.587 casos de estupro em 2024. Mais de 60% das vítimas tinham até 13 anos e 73,7% eram do sexo feminino. Entre elas, a maioria se declara negra.
O Anuário destaca que o dado é importante porque reforça dois elementos importantes para combater o problema: o quanto a violência de gênero e o racismo impactam a vida de meninas negras que, muitas vezes, têm como agressores pessoas próximas, como familiares ou conhecidos.
O estudo também chama atenção para o crescimento nos registros de crimes contra crianças e adolescentes, especialmente os que envolvem abuso sexual, maus-tratos e abandono. Mesmo com campanhas e leis de proteção, meninas seguem invisíveis nas estatísticas que mais deveriam protegê-las.
Mais de 44 mil meninas de até 13 anos foram estupradas em 2024. A cada 10 vítimas de estupro de vulnerável, 8 são meninas e 6 são negras.
E o que acontece com as mães das meninas ou mulheres mais velhas?
Além dos crimes sexuais, o Anuário também escancara que, apesar de avanços, como a Lei Maria da Penha, os dados de violência contra mulheres seguem em alta: dos 1.463 feminicídios registrados, 62,4% foram de mulheres negras. A taxa de feminicídio entre mulheres negras é o dobro da registrada entre mulheres brancas.
Outro recorte preocupante está na violência doméstica: 87,7% das vítimas de ameaças são do sexo feminino e mais da metade (55,6%) são negras. Em 65,7% dos casos, a violência aconteceu dentro da casa da própria vítima.
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