Maquiagem é a forma criativa de dizer para o outro quem você é
Juliette estava certa: precisamos resgatar e compreender o poder fundamental da maquiagem.
“O poder da maquiagem para uma mulher”. “E para alguns homens também”. As frases protagonizadas por Juliette e Lumena, durante o Big Brother Brasil 2021, voltaram a circular nas redes sociais como um meme. Mas, para além da piada, qual realmente é o poder da maquiagem?
Tendo seus primeiros registros no Egito antigo, os cosméticos nunca pararam no tempo e foram se adaptando à época, sempre exercendo funções diferentes em contextos diferentes, como para demarcar status, classes sociais e culturas. Contudo, algo que nunca mudou, seja na antiguidade ou na modernidade, é o seu papel de REPRESENTAR. Se em outrora a maquiagem representava o poder social, hoje, maquiagem representa a forma como um indivíduo se enxerga na sociedade.
Em um mundo globalizado, no qual as tendências são atualizadas frequentemente, aquela que é escolhida por um sujeito é a forma dele de dizer para o outro quem é! Apesar dos avanços, o preconceito permanece fazendo com que a maquiagem, continue sendo algo limitado a beleza “padrão”, sobretudo com mulheres, reduzindo o que poderia ser uma experiência sem limites a uma caixinha recheada de estereótipos, constantemente excluindo diferentes etnias, gêneros e, até mesmo, gostos pessoais.
É aí que surge a necessidade de resgatar e compreender o poder fundamental da maquiagem, o de REPRESENTAR, uma vez que a luta contra o preconceito é um movimento diário de todos que sofrem com aquilo. Movimento que pode ser notado por meio das redes sociais, com grandes influencers que brincam com a noção de beleza, padrão e gênero como @carolbarragana e @anamarybb, mas que também é visível no dia a dia com as subculturas que permeiam o ambiente urbano, como: góticos, punks, mandrakes, gyarus, entre outras, que desafiam o que é aceito como “normal” e “comum”.
Além de que, manter a maquiagem como uma atividade criativa, que instiga a identidade própria e que busca em si uma forma de se conectar com o outro é, também, uma forma ativa de combater os estigmas que uma arte tão antiga ainda sofre. No fim, Juliette e Lumena não estavam, de forma alguma, erradas em dizer que a maquiagem tem sim um poder, tão pouco em afirmar que ela é para alguns homens também. Afinal, é para todos.
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