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Por que nós, jovens, estamos tentando escapar do digital?

O analógico se tornou uma espécie de refúgio para a nossa galera que parece, muitas vezes, rejeitar o presente.

Por Maria Clara Souza da Rocha 6 jun 2026, 17h00
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É

 cada vez mais comum observar a nossa geração tentando retornar ao passado: comprando câmeras antigas, colecionando discos, mergulhando em filmes de outras épocas. Mas o que motiva essa constante fuga da atualidade?

A verdade é que a hiperconectividade vem tornando o mundo um lugar mais vazio e monocromático — tudo parece simples, imediato e excessivamente acessível. Basta um clique para assistir a qualquer filme ou ouvir qualquer música; perde-se, assim, o ritual de colecionar CDs, rebobinar fitas e construir memórias com o tempo. 

Em meio a esse cenário, surge uma contradição moderna: os filhos da era digital compartilham nostalgia… online. Fotos são publicadas com filtros “vintage”, músicas antigas se tornam virais e a busca por um passado idealizado ganha força dentro da própria tecnologia. A modernidade, ao tentar aperfeiçoar tudo, acaba diluindo a imperfeição e a humanidade que tornam as experiências memoráveis — e é justamente isso que parece que nós, jovens, tentamos resgatar.

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Com celulares de última geração em mãos, equipados com câmeras de altíssima qualidade, muitos ainda optam por máquinas digitais antigas. Imagens borradas, granuladas e de resolução limitada deixam de ser falhas e passam a ser vistas como marcas de autenticidade — registros mais crus, mais íntimos, mais reais.

Aqueles filmes antigos com a imagem granulada e áudio imperfeito estão se sobressaindo sobre as produções mais recentes – observa-se que a cinematografia cada vez mais “perfeita” na verdade está se tornando cada vez mais impessoal, sem sentimentos reais e histórias envolventes. O mesmo acontece com a indústria pop atual; genérica e sem identidade real, consumida por fórmulas prontas e melodias previsíveis.

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Embora os avanços tecnológicos tenham papel fundamental no desenvolvimento da sociedade, surge um questionamento inevitável: até que ponto devem influenciar a forma como vivemos e sentimos? Em meio a um ritmo acelerado e à dependência constante dos dispositivos digitais, talvez o verdadeiro desafio da nossa geração não seja rejeitar o presente, mas aprender a equilibrá-lo — discernindo entre o que é essencial e o que é excesso.

Então, vale questionar: será que a constante busca por perfeição e padronização conteudista e midiática não está apagando as imperfeições que, antes, davam cor, textura e humanidade às nossas experiências?

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