Antes de apertar ‘confirma’ na urna, considere as mudanças climáticas
Sim, nossos e nossas representantes são responsáveis por criar e gerir políticas que devem prevenir e remediar os efeitos da crise climática.
leições importam. Ainda que sejam espaços limitados, ainda que não sejam suficientes, elas importam. Por meio das eleições, os governos formados serão os responsáveis por muitas políticas que estão no nosso dia a dia, do ônibus até as escolas, do preço dos alimentos até a taxa de impostos dos produtos importados. E, em 2026, mais uma vez teremos um momento que coloca em disputa nossa própria democracia.
Esse assunto parece meio espinhoso porque a política é repleta de confrontos e contradições. Por exemplo, se você acompanha a CAPRICHO (falamos muito disso!), já sabe que nossa Câmara dos Deputados e Senado são muito masculinas e brancas, mesmo que a maior parte da população brasileira seja feminina e negra. Existe pouquíssima diversidade em nossas cadeiras legislativas, executivas e judiciárias, em nível federal, estadual e municipal.

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Mas além do desafio da diversidade, existe uma contradição que pouco aparece nos discursos de candidatos e candidatas: o clima. Ou, especificamente, a crise do clima. Estamos convivendo com mudanças climáticas que afetam diariamente nossa vida. Uma pesquisa da Ipsos para o Instituto Talanoa, de 2026, mostrou que um em cada quatro brasileiros das classes A, B e C afirma que já precisou sair de casa em decorrência de um evento extremo.
Mesmo assim, poucos de nossos representantes pautam as mudanças climáticas em suas agendas – não apenas em posts de redes sociais ou eventos, mas em seus planos de governo, com ações concretas. Talvez te digam que isso acontece porque falar de clima não dá voto, afinal é comum que nossas escolhas eleitorais sejam orientadas pelos nossos valores. Não é atoa que políticos abordam temas como família, dinheiro, religião e segurança. Só que o clima atravessa todas essas áreas.
Quando ocorre uma inundação ou enchente, pessoas ficam desabrigadas e sem moradia, o que também piora a segurança pública. Quando as ondas de calor aumentam ou a qualidade do ar piora drasticamente, isso pode sobrecarregar os sistemas de saúde. Quando secas prejudicam a agricultura, o preço e acesso aos alimentos podem subir.
Esses são só alguns exemplos de como clima e política tem tudo a ver. Nossos representantes são responsáveis por criar e gerir políticas que devem prevenir e remediar os efeitos da crise climática. Essas políticas, por sua vez, devem ser elaboradas e aplicadas de forma participativa e plural, considerando a redução das desigualdades sociais, de gênero e de raça.
Por isso, nas eleições de 2026, lembre-se de votar em pessoas que representem seus valores e que tenham compromisso democrático, mas que também apresentem propostas e histórico de luta contra a crise do clima. Uma dica são os exemplos de iniciativas que podem ser encontradas nas plataformas Vote Pelo Clima ou Bancada do Clima. Dessa forma, estaremos votando pelo nosso presente e futuro, afinal, quem ignora o clima na arena política ignora nossa própria sobrevivência na Terra.
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