A era dos influenciadores ‘gente como a gente’ está voltando?

A geração Z está trocando a perfeição impossível das redes por criadores mais autênticos, vulneráveis e fáceis de se identificar.

Por Victor Evaristo 30 Maio 2026, 13h00
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urante muito tempo, o sucesso dos influenciadores digitais esteve ligado à ideia de perfeição. Viagens luxuosas, rotinas impecáveis, casas organizadas e uma vida aparentemente inalcançável dominaram as redes sociais durante anos. Mas uma mudança vem ganhando espaço entre a nossa galera da Geração Z: a valorização de criadores que pareçam mais próximos da realidade.

Nós já falamos sobre isso recentemente ao entrevistar o criador de conteúdo Igor Melo, que viralizou no TikTok justamente ao trocar vídeos planejados por relatos espontâneos sobre a própria vida. Sem roteiro, sem uma estética superproduzida e apostando na vulnerabilidade, ele construiu uma audiência que acompanha suas histórias, inseguranças e experiências pessoais com afinco.

Esse movimento não acontece por acaso. Uma pesquisa da Cassandra, empresa de pesquisa comportamental focada em jovens, mostrou que consumidores da Geração Z tendem a seguir influenciadores que consideram autênticos e ‘relatable’, ou seja, pessoas com quem conseguem se identificar. Segundo o levantamento, 89% dos entrevistados afirmaram ser importante que o influenciador pareça alguém legal e verdadeiro, enquanto 86% disseram preferir criadores que não aparentem estar apenas tentando vender produtos.

Quando perguntamos à Galera CAPRICHO, nosso grupo de leitores-colaboradores, quem são os influenciadores que representam os jovens hoje, a identificação também apareceu como um fator decisivo. Pedro Ribeiro, de 17 anos, contou, por exemplo, que se conecta mais com perfis que aproximam os seguidores, já que ele se vê muito neles. “Mesmo cada um estando em um segmento diferente, eu busco conteúdos que me aproximem ou me façam dar uma pensada, e também os que eu consigo me identificar”, explicou. 

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Essa sensação de proximidade também está refletida no que chamamos de relações parassociais – termo usado para descrever os vínculos emocionais criados entre o público e figuras públicas que não conhecem aquela pessoa de maneira real. Nesse caso, esse vínculo tende a ficar ainda mais intenso porque muitos compartilham detalhes íntimos da rotina, frustrações e questões pessoais com frequência. Para quem acompanha, surge a impressão de conhecer aquele criador de verdade, quase como uma amizade construída pelas telas. É justamente esse tipo de relação que aparece no caso do Igor.

Isso não significa que os influenciadores deixaram de construir imagem nas redes. Muitas vezes, a própria naturalidade também se transforma em posicionamento de marca. Só que agora a estética da perfeição divide espaço com vídeos que parecem improvisados, relatos emocionais e publicações mais humanas.

Mais do que acompanhar uma vida perfeita, parte da Geração Z parece ter um grande foco nas plataformas: pertencimento.

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