A pansexualidade do Deadpool foi mal explorada nos filmes da Marvel?

Há várias referências nos filmes, mas será que elas são claras o suficiente? Afinal, muita gente ainda acha que o Deadpool é um 'herói hétero machão'...

Por Isabella Otto 8 dez 2019, 10h01 | Atualizado em 3 jul 2026, 19h39
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Ele é um anti-herói zoeiro e sádico do time da Marvel que acaba de ganhar seu segundo filme protagonizado por Ryan Reynolds. Até aí, sem grandes novidades. O Deadpool, definitivamente, ganhou ainda mais popularidade depois de ir para o cinema. Os filmes, contudo, podem ter falhado na hora de explorar a pansexualidade do personagem. Talvez seja novidade para você, mas o Deadpool é pansexual, ou seja, ele se sente atraído pelas pessoas, independentemente da identidade de gênero ou da orientação sexual delas.

Esse é nosso tipo de herói! <3 Reprodução/Reprodução

Para entender melhor o Mr. Pool, conversamos com Victoria Hope, jornalista especializada em cultura pop, que leu sua primeira HQ do anti-herói aos 13 anos, em 2005, quando o primeiro Cable & Deadpool foi lançado. Algumas pessoas que não conhecem o Deadpool dos quadrinhos podem achar, erroneamente, que ele faz a linha machão nas obras cinematográficas. Na verdade, o diretor David Leitch e o ator Ryan Reynolds fizeram questão de explorar a pansexualidade do personagem. É possível que não da mesma maneira e com a mesma intensidade que as HQ’s, mas Victoria enumera algumas passagens em que podemos ver isso:

1. Quando o Deadpool flerta com com o taxista
No primeiro filme da franquia, há uma série de cenas em que o mercenário joga umas indiretas para o motorista ao mesmo tempo em que elogia sua mulher e declara seu amor por Vanessa.

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2. Quando ele demonstra sua crush pelo Wolverine

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E não só pelo herói com a garrinhas de fora! Mr. Pool também tem um ~precipício~ pelo Homem-Aranha. Nos quadrinhos, isso aconteceu de maneira mais intensa e direta em uma HQ lançada em janeiro de 2017, escrita por Joshua Corin e Tigh Walker.

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3. Quando Wade dá uma “apertadinha” no Colossus

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Tanto no primeiro quanto no segundo filme, ele também faz uma série de comentários de duplo sentido sobre sua sexualidade, pois não se importa de explorá-la dessa maneira nem liga para que os outros possam pensar.

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4. Quando demonstra seu amor pela Vanessa

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O fato de Deadpool manter uma relação heterossexual no momento não o classifica como um heterossexual, é importante deixar isso claro.

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5. Quando dispara arco-íris do chifre do unicórnio

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Desde 1978 que a bandeira com as cores do arco-íris representa o movimento LGBTQ+. Nos créditos finais do primeiro filme, também há uma sequência de imagens que mostra o anti-herói “interessando-se” por homens e mulheres, ao ver os nomes de Ryan Reynolds e Morena Baccarin na tela.

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Victoria, contudo, acredita que a sexualidade do personagem poderia ter sido abordado de forma mais direta. “O público de Deadpool é composto por uma maioria masculina e heterossexual que até hoje resiste em acreditar na sexualidade do herói, mesmo que todos os principais quatro escritores das histórias já tenham confirmado sua pansexualidade“, explica. “Nos quadrinhos, o Deadpool flerta com homens e tem fantasias com o Cable (uma delas é ver o “inimigo” só de sunguinha para ele poder passar protetor solar em seus muques). Ele também fala sem querer para o Thor que acha ele muito atraente, mas logo fica com vergonha de ter falado isso em voz alta. Ele também já beijou a Vanessa na forma masculina dela e também disse em Secret Avengers que estava a fim do Gavião Arqueiro”, complementa a jornalista.

Na pré-estreia do filme em Nova York, o produtor Simon Kinberg falou sobre essas sutis (mas nem tanto) referência dos filmes: “[A pansexualidade] está no DNA do personagem”. Quando questionado sobre a sexualidade do Deadpool, Ryan Reynolds fez questão de deixar claro que não se oporia caso o anti-herói tivesse um namorado algum dia. “Seria ótimo!”, disse o ator.

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Há algumas outras passagens nos filmes ainda mais diretas, que exploram a pansexualidade do personagem, mas é possível compreender a discussão com as informações passadas nesta matéria (e você pode caçar as outras referências enquanto assiste aos longas). O mais importante é entender que toda a adaptação para o cinema sofre mudanças, mas essas mudanças não podem ser pautadas em opiniões preconceituosas de uma minoria fã do herói que ainda não sabe lidar com sua identidade sexual.

A pré-estreia do segundo Deadpool já bateu recordes, assim como aconteceu com a estreia de Pantera Negra. Essas são provas de que representatividade importa e faz toda a diferença.

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