Anedonia é um sintoma central de depressão, mas passa desapercebido

Perder a vontade e o prazer de fazer o que você mais gosta não é normal, viu?

Por Juliana Morales 20 abr 2025, 13h00 | Atualizado em 8 jun 2026, 12h53
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influenciador Gustavo Foganoli, de 23 anos, fez um forte relato sobre sua luta contra a depressão e a recente internação em uma clínica de reabilitação. No vídeo compartilhado com seus seguidores, o jovem conta que está ansioso para voltar a fazer o que ama, já que, por muito tempo, ele perdeu o prazer em fazer tudo – até as suas atividades preferidas, como cozinhar, que era uma de suas grandes paixões.

Esse desencantamento descrito por Foganoli é um dos principais sintomas da depressão e tem nome: anedonia. Como explica Marcelo Heyde, médico psiquiatra e professor da Escola de Medicina e Ciências da Vida, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), trata-se de uma alteração de humor, caracterizada pela redução da capacidade em sentir prazer.

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Ela acontece principalmente por uma desregulação dos circuitos do sistema límbico (que controla as emoções) e os circuitos de recompensa, ambos mediados pelos neurotransmissores serotonina, noradrenalina, dopamina e sistema opioide. “Esses mecanismos são importantes para nos gerar motivação, para nos sentirmos bem tanto durante como após uma atividade, e na capacidade de antecipar que aquela atividade será prazerosa”, explica o médico.

Marcelo esclarece que existem diferentes aspectos e intensidades da anedonia. O sintoma pode aparecer em situações simples do dia a dia, como não apreciar um hobby ou sua refeição preferida, ou em situações mais eventuais ou complexas, como encontro de amigos ou um show de seu artista favorito.

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“Muitas vezes, pessoas com anedonia conseguem, sim, realizar as tarefas, mas sem o mesmo brilho nos olhos ou satisfação que tinha antes, motivadas por um senso de responsabilidade ou necessidade”, diz o psiquiatra.

Anedonia está sempre ligada à depressão?

Marcelo explica que a anedonia é um dos critérios centrais para o diagnóstico da depressão, junto com o sentimento de tristeza. “Inclusive pode existir depressão sem tristeza, somente anedonia, apesar de ser incomum”, diz o médico. No entanto, ela pode aparecer em outros diagnósticos psiquiátricos como Transtornos de Ansiedade, Transtornos de Estresse Pós Traumático e Esquizofrenia – mesmo que nesses casos ela não seja um critério diagnóstico central.

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O psiquiatra acrescenta que alguns diagnósticos neurológicos como Parkinsonismo, demências e demais quadros neurodegenerativos também podem causar anedonia.

“Fora dos contextos dos diagnósticos, pode surgir em cenários em que a pessoa está exposta ao estresse crônico, situações de luto por perda. Assim como alguns déficits nutricionais, principalmente de vitamina B12”, completa.

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Como tratar a anedonia?

Primeiro, como a anedonia está ligada à transtornos e outros diagnósticos, é importante buscar a avaliação para o o diagnóstico e tratamento correto, certo? Mas Marcelo acrescenta que, em situações cotidianas, existem diversas técnicas que podem ser utilizadas.

“Uma é a ativação comportamental, em que a pessoa aprende a fazer a atividade mesmo com baixa motivação, entendendo que após essa atividade ela tende a se sentir melhor. Outra é uma técnica de mindfulness e aceitação em que a pessoa acaba se frustrando menos com os sentimentos negativos”, aconselha.

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