Como fazer terapia pode ajudar a entender sua sexualidade na adolescência
As escolhas e sentimentos são só seus, mas você pode contar com a escuta, suporte emocional e mediação profissional para passar por esse processo.
verdade que só você pode responder as perguntas relacionadas a sua sexualidade e descobrir quem você é e de quem você gosta. Isso não quer dizer, no entanto, que você precisa passar por esse processo sozinho(a) e em silêncio. Além do acolhimento de pessoas da sua confiança, a terapia pode ser um espaço seguro para você explorar e entender melhor essas questões.
Primeiro, vale reforçar que estar confuso sobre a sua orientação sexual não significa que há um problema com você, certo? Entender a própria sexualidade pode ser complexo mesmo, principalmente na adolescência, que já é uma fase repleta de dúvidas e dilemas. Além disso, crescemos rodeados de valores sociais, que carregam preconceitos e dificultam com que sejamos sinceros com nós mesmo e com o que sentimos, como explica Runner Maciel, psicólogo LGBTQIA+, em entrevista à CAPRICHO.
“Existem muitas normas [sociais] que, apesar de não estarem necessariamente instituídas em uma lei, elas acabam dizendo o que você pode ou não pode ser. Isso inibe muito a exploração da sexualidade e regula a forma com que as pessoas a experimentam, negligenciando desejos, erostismos e fantasias”, diz.
Diante desse contexto, Runner explica que a terapia pode ser o lugar sem julgamentos que oferece a liberdade para os jovens fantasiarem e darem lugar ao desejo. “É um espaço muito diferente do próprio mundo, quase uma espécie de ninho, onde o jovem se apropria da sua existência e da sua sexualidade e se fortalece para, então, lidar com esse mundo [exterior] que pode vir a ser bem hostil”, afirma.
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O papel do psicólogo no processo de entender a sexualidade
O papel do psicólogo diante dessa jornada de autoconhecimento, segundo Runner, é estar aberto para “esse mistério que é do outro” e estimular que o outro viva abertamente essa experiência. “Nós precisamos estar abertos também para navegar com o paciente nesse mundo que ele e nem a gente sabe qual é o lugar que vai dar”, afirma, reforçando que não cabe ao profissional ditar se a pessoa deve se assumir ou não ou quando fazer isso. Essa é uma escolha pessoa que a terapia pode apenas ajudar a entender como deve ser feita.
Além de não impor o que deve ser feito, é inaceitável, dentro dos códigos de ética da profissão, que haja discriminação de gênero, orientação sexual, social ou de cunho racial dentro de uma sessão de terapia. Em hipótese alguma, o psicólogo pode sugerir, indicar ou tentar impor questões religiosas como forma de intervenção, por exemplo.
Como abordar sobre o tema na terapia?
Como já falamos aqui na CAPRICHO, o processo terapêutico convida a olhar para as partes mais difíceis da nossa história e entrar em contato com nossas dores, imperfeições, dúvidas e faltas. O psicólogo vai ajudar e dar ferramentas para lidar com isso, mas é preciso estar comprometido com esse mergulho para dentro de si.
O paciente dita o que deseja ou não falar, inclusive quando abordar o tema da sexualidade, viu? Em entrevista anterior à CAPRICHO, a psicóloga e psicanalista Luciana Inocêncio defendeu que não deve existir travas ou medos sobre o que falar ou não. “A orientação ao paciente é simples e libertadora: fale tudo o que vier à cabeça, mesmo que pareça bobo, desconexo, íntimo demais ou até ‘errado’. A análise se constrói justamente a partir das associações espontâneas — que revelam o que está guardado no inconsciente”, explica.
Ela explica que quando surgir a vontade de esconder um assunto do profissional da saúde, você deve se esforçar ainda mais para compartilhá-lo. O momento da sessão é livre de julgamentos e você deve se sentir livre para se abrir com a pessoa, até porque só assim há o processo transformacional.
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