Falta de informação sobre endometriose afeta sua saúde desde cedo

Pesquisa inédita mostra que dores menstruais ainda são normalizadas, atrasando diagnósticos e tratamentos. A gente te explica o que é e como lidar.

Por Andréa Martinelli 7 Maio 2026, 14h56
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entir cólicas muito fortes na adolescência ainda é tratado por muita gente como “normal”, né? Você, leitora de CAPRICHO, se já está em idade menstrual, sabe do que estamos falando: às vezes a dor vem, é negligenciada e tratada apenas com analgésico. Mas especialistas alertam que essas dores intensas, o sangramento excessivo e desconfortos constantes podem ser sinais de outra coisa: da endometriose, uma condição que afeta milhões de meninas e mulheres no mundo.

Uma pesquisa inédita realizada pelo instituto Ipsos, a pedido da Bayer, revelou que 4 em cada 10 brasileiras não conhecem detalhes sobre a doença e 30% nunca buscaram informações sobre o tema. O dado preocupa porque a endometriose costuma surgir ainda na juventude, justamente na fase em que muitas meninas começam a menstruar e podem ter os primeiros sintomas ignorados. Ou seja, é algo que precisa ser falado.

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Segundo a Organização Mundial da Saúde, a doença afeta cerca de 10% das mulheres e meninas em idade reprodutiva no mundo. Entre os sintomas mais comuns estão cólicas menstruais intensas e dores pélvicas crônicas (52%), inchaço abdominal (52%), sangramento intenso (44%) e dor durante relações sexuais (42%).

O problema é que muitas jovens passam anos ouvindo que estão exagerando e quem aponta isso são os dados. A pesquisa aponta que 77% das mulheres diagnosticadas com endometriose já tiveram seus sintomas minimizados ou ignorados. Em muitos casos, isso aconteceu dentro da própria família (41%) ou até em atendimentos médicos.

Quase metade das entrevistadas ouviu que a dor poderia ser “estresse” ou “cansaço”, enquanto 45% foram chamadas de “dramáticas” ou “exageradas”. Esse cenário ajuda a explicar por que o diagnóstico da doença demora, em média, 3,8 anos para acontecer.

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Além da dor física, existe um alerta para os impactos emocionais causados pela falta de acolhimento. Conviver desde cedo com dores incapacitantes e não ser levada a sério pode afetar autoestima, rotina escolar, relações sociais e saúde mental.

“Mesmo com tantos avanços nas discussões sobre saúde da mulher, ainda vemos um grande negligenciamento quando o assunto é dor e incômodo”, afirmou o ginecologista Rodrigo Mirisola em comunicado divulgado junto ao levantamento.

Os dados também mostram dificuldades no acesso ao tratamento, especialmente para quem depende do SUS (Sistema Únido de Saúde). Entre as mulheres atendidas pela rede pública, 41% citaram filas longas para conseguir consultas com especialistas.

O recado é: cólicas incapacitantes não devem ser consideradas normais, principalmente quando impedem meninas de estudar, sair de casa ou manter a rotina. Buscar acompanhamento médico e investigar sintomas persistentes pode ser essencial para garantir qualidade de vida e tratamento adequado. Converse com seus pais, amigas e busque ajuda caso você sinta algum desses sintomas. Combinado?

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