‘Meu namorado ainda não se assumiu. Como lidar com isso?’

Entenda os desafios dessa situação e veja como equilibrar amor, respeito e seus próprios limites

Por Juliana Morales 5 abr 2026, 17h00 | Atualizado em 6 abr 2026, 00h17
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ocê, jovem LGBTQIA+, se apaixonou por uma pessoa, vocês super combinam e querem ficar juntos. Mas tem uma questão que difere vocês: o outro ainda não se assumiu, enquanto você já passou por esse processo e não é mais um problema. Aí vem uma enxurrada de dúvidas e preocupações: esse pode ser um grande obstáculo na relação? Como lidar com isso? Podemos dar certo mesmo assim?

Em primeiro lugar, o psicólogo Júnior Costa, especializado no atendimento de pessoas LGBTQIA+, explica que a experiência de uma pessoa gay, lésbica ou bissexual se assumir é individual e está associada ao contexto social, financeiro, familiar, religioso e moral no qual ela está inserida. No entanto, a partir do momento que ela entra em um relacionamento, isso envolve outra pessoa, e, pode, sim, se tornar uma questão complexa.

Júnior aponta que “para uma relação poder se desenvolver, ela precisa ser vista e existir em diferente contextos”. Quando uma das partes não é assumida, muitas vezes, é necessário que o relacionamento seja um completo segredo. Isso, além de atrapalhar esse desenvolvimento do casal, pode acabar colocando a pessoa que já é assumida em um lugar de falta e apagamento, já que ela vai precisar abrir mão de muitas coisas importantes na relação por conta do outro, que ainda não conseguiu romper com algumas amarras.

“O problema é quando eu preciso me diminuir para caber na relação e no mundo do outro”, explica o psicólogo. “Para ser bom, precisa estar confortável para mim e para o outro. Não dá só para você se esconder e eu me esconder junto com você”, continua.

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Mas é possível que a relação funcione quando um não é assumido?

Júnior responde que não é simples na maioria das vezes, mas é super possível. “A partir do momento que eu não preciso me diminuir para caber nessa relação, as coisas podem funcionar bem”, diz. Ele explica que isso precisa ser um processo, muitas vezes lento, mas que a pessoa que já é assumida veja que tem a expectativa de que um dia aquela barreira se rompa ou que há um futuro apesar das dificuldades.

“Isso não significa necessariamente que o parceiro ou parceira vai se assumir para família ou para todo mundo, mas que a relação vai existir em outros contextos. Tem pessoas que não são assumidas para os pais, mas saem juntas, tem outros espaços para trocar afeto e saírem de mãos dadas, por exemplo”, explica.

Júnior enfatiza que não é sobre quem está certo ou errado ou de que forma funciona ou não. “É entender que precisa de limites”, diz. “É preciso se perguntar: como eu fico numa relação em que eu já rompi com muita coisa e o outro nunca vai romper? Qual a expectativa de desenvolvimento? O que o outro pode oferecer?”.

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A partir disso, colocar numa balança: a relação te desperta mais sofrimento ou mais felicidade? “Nenhuma relação é isenta de conflito. Mas se você tá na relação que existem mais conflitos e inconstância do que calmaria, aí eu acho que é legal parar para pensar. Às vezes, dá para muda e chegar no consenso, mas, às vezes, o mudar é sair dela”, aponta Júnior.

Para entender, é importante ter um diálogo aberto, sincero e com o objetivo genuíno de entender o outro. “Fale como você se sente dentro da relação sem atacar o outro ou transformar a conversa em uma disputa, e depois escute o que a outra pessoa tem a dizer também”, aconselha.

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