Por que gostar do que é diferente te faz se sentir estranho?

Na adolescência, pressões sociais tentam definir quem você deve ser, mas explorar interesses fora do padrão é o que constrói a sua identidade

Por Victor Evaristo 26 abr 2026, 13h00
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xiste uma pressão silenciosa que costuma começar na adolescência que tenta organizar todo mundo em categorias muito bem definidas. É como se cada pessoa tivesse que seguir um roteiro específico para ser aceita, e qualquer coisa fora disso virasse um alerta. Se você curte desenho, dizem que é infantil. Se um garoto se interessa por algo considerado “de menina” ou ligado ao público LGBTQIA+, começam os olhares tortos, os comentários atravessados e as suposições que ninguém pediu.

Só que essa lógica parte de uma ideia muito restrita do que significa ser alguém. Desde cedo, a gente aprende que certos interesses “combinam” com determinados perfis, como se identidade fosse uma soma de rótulos. E não é. Apreciar uma série animada, uma estética mais colorida, artistas ou conteúdos que fogem do esperado pro seu gênero ou orientação não te torna estranho. Te torna alguém com repertório, com abertura ao novo, ao “diferente”.

Quando os rótulos não dão conta

O problema nunca esteve nos seus interesses, mas na necessidade dos outros de encaixar tudo em padrões fáceis de entender. Quando alguém estranha isso, muitas vezes não é porque tem algo errado com você, e sim porque aquela pessoa ainda enxerga o mundo de forma restrita. E isso diz mais sobre ela do que sobre você.

Quebrar esses rótulos pode ser desconfortável, porque significa sair de um lugar “confortável” onde tudo já está meio definido. Mas também é libertador. Você começa a perceber que não precisa abrir mão de partes de si para caber em grupos ou expectativas. É possível transitar entre interesses diferentes, misturar referências e não fazer sentido dentro de um padrão, mas ainda assim fazer todo sentido pra si mesmo.

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No meio de tanta cobrança para ser de um jeito só, escolher ser fiel ao que te interessa acaba sendo um ato de coragem. E, com o tempo, isso deixa de ser algo que te diferencia de forma negativa e passa a ser justamente o que te torna interessante e autêntico.

Seja sempre você mesmo!

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