Por que o Brasil é a melhor torcida no Oscar (ou em qualquer lugar)
Do cinema ao esporte, brasileiros transformam qualquer evento em festa — e o Oscar já provou que nossa torcida é impossível de ignorar.
uando um brasileiro entra na disputa do Oscar, uma coisa é quase certa: a internet vai virar arquibancada. Entre memes, campanhas e milhares de comentários nas redes sociais, fãs brasileiros costumam transformar a premiação em uma espécie de Copa do Mundo cultural. O fenômeno voltou a aparecer nas últimas semanas com a mobilização online em torno das indicações conquistadas por O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, e reacende uma pergunta: por que o Brasil faz tanto barulho quando chega ao Oscar?
Nas redes sociais, a movimentação costuma surgir quase instantaneamente. Bastam algumas indicações ou um destaque inesperado para que brasileiros comecem a comentar em publicações da Academia, criar hashtags e compartilhar vídeos e memes celebrando o momento. Em pouco tempo, a torcida se espalha por diferentes plataformas e transforma a premiação em um evento acompanhado coletivamente.
Esse tipo de mobilização não é exatamente novidade. Algo parecido aconteceu recentemente com Ainda Estou Aqui, quando o filme ganhou projeção internacional e passou a circular em festivais e premiações. A trajetória do longa virou assunto constante nas redes brasileiras, com internautas divulgando críticas estrangeiras, comemorando cada nova conquista e incentivando mais gente a assistir.
Em uma entrevista ao jornalista Rodrigo Ortega, Fernanda Torres atribuiu esse comportamento ao fato dos brasileiros amarem tanto a sua cultura, que tem pena dos outros países, que não tem tanto conhecimento sobre nós e por isso, celebram qualquer chegada do nosso povo aos olhos estrangeiros. “A gente consome nossa própria cultura e tem interesse por nós mesmos. Eu conheço a cultura francesa, a americana, a italiana, mas eles não conhecem a cultura brasileira. O Brasil tem pena do mundo não saber o que a gente sabe”, afirmou.
Nós, que, em matéria de consumo, privilegiamos nossas histórias, apesar de uma síndrome de vira-lata abandonado que se apequena frente aos gigantes das indústrias. Foi Fernanda mesmo quem disse, meses atrás em entrevista ao UOL, sobre nossa capacidade de aplaudir ‘coisa nossa’, mesmo quando não é de conhecimento geral.
A intensidade dessa torcida já virou até piada entre profissionais da indústria. Recentemente, o diretor espanhol Óliver Laxe – diretor de Sirat, também indicado ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro – chegou a comentar que, se dependesse dos brasileiros, eles votariam até em um sapato no Oscar. Não demorou muito para que ele viesse a público se desculpar, após a onda massiva de ataque nas redes sociais, feitos não somente por brasileiros, mas por todos os admiradores do país.
No fim das contas, o barulho diz menos sobre as regras do Oscar e mais sobre o jeito brasileiro de participar na internet e mostra que, quando o Brasil entra em qualquer lugar, dificilmente passa em silêncio.
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