Charli xcx quer sair de era ‘Brat’ com álbum de rock
Em entrevista, cantora aponta sua vontade de não se repetir e apresentar uma nova versão de si mesma
harli XCX está pronta para deixar as pistas de dança da era BRAT e partir rumo ao rock, sonoridade escolhida para seu próximo álbum. Mesmo sem título ou data de lançamento revelados, a cantora parece ter abandonado o autotune e aberto as portas para seus sentimentos, inseguranças e nostalgia, acompanhadas das guitarras do produtor AG Cook, seu colaborador recorrente.
Em entrevista à British Vogue, a voz de Everything is romantic mostra que está com vontade de mudar os ares e não seguir pelo caminho de fazer um BRAT II. Laura Snapes, repórter que já ouviu parte do material, aponta que isso pode ser observado no comportamento de sua personagem, que adota uma postura mais sincera e direta para falar de seu novo trabalho.
“Acho que a pista de dança está morta, então agora estamos fazendo música rock”, brinca Charli sobre a transição de gêneros musicais. “Para mim, é divertido inverter a forma. Sabemos que vai haver pessoas que vão ficar incomodadas com isso, mas tudo bem”, conclui.
Segundo a repórter, Charli, AG Cook e Finn Keane estão produzindo esse oitavo álbum em segredo, inclusive, se dividindo por parte do tempo entre ele e a trilha sonora de Morro dos Ventos Uivantes, filme de Emerald Fennell com Margot Robbie e Jacob Elordi, que ganhou 12 músicas feitas pela cantora.
O que vem depois de BRAT?
Nos últimos anos, BRAT assumiu um papel de protagonista na cultura pop depois de cair na boca do povo, fazer o público embarcar na estética verde com mensagens ácidas — assim como as letras das músicas–, influenciar as eleições presidenciais dos EUA e, segundo seu marido, George Daniel, criar algo que “revolucionou a música dance“.
“Se eu tivesse feito outro álbum com uma pegada mais dançante, teria sido muito difícil, muito triste“, diz Charli lentamente, como quem morre de medo de se repetir artisticamente. “Mas o que me interessa é expandir as possibilidades da minha perspectiva sobre isso“, reflete.
Assumindo mais uma vez uma postura critica sobre seu próprio trabalho, Charli lembra que esse será seu primeiro trabalho depois de expandir sua base de fãs, por isso, ela não deseja ser vista como alguém que perdeu sua originalidade, impacto e força “Passar por essa expansão do meu público me fez perceber como às vezes você pode ser reduzido a esses clichês.”
“Quando fiz Brat, fiz pensando que seria descartada. Não posso cair nessa armadilha porque aí começo a tomar decisões que não são baseadas na verdade e no instinto”, afirma a cantora.
Com uma base de produção que se dividiu entre as cidades de Paris e Londres, por conta de alguns compromissos profissionais da cantora, Charli diz que a criação dessas faixas rockeiras tem sido influenciadas pelo ritmo da sua vida — que parece estar bem intensa. “Sabíamos que queríamos ir a Paris para fazer isso. Sabíamos que seria uma época muito agitada e intensa, e gostamos de criar nesse tipo de atmosfera“, relata a artista.
“Estávamos fazendo nossa versão de analógico, o que é tão bobo e engraçado”, diz Charlie enquanto mostra o material para repórter, que nota a ausência do auto-tune e o retorno de guitarras que não ouvidas desde o disco SUCKER (2012).
Charli, que começou a fazer música aos 14 anos e que aos 16 anos já tinha contrato para a produção de cinco discos, disse que seu narcisismo a impede de realizar um desejo.“Hoje em dia, há tanto ruído em torno de tudo o que eu faço que às vezes acho um pouco sem sentido. Penso: ‘Por que não faço o álbum e o ouço com o AG e o Finn?’ Mas obviamente, existe um narcisismo que me impede de fazer isso.”
Sendo assim, quem tá pronto pra ouvir a britânica dizendo: “Hoje é dia de rock, bebê”?
Quer receber as principais notícias da CAPRICHO direto no celular? Faça parte do nosso canal no Whatsapp, clique aqui.





