Como Suga, do BTS, se tornou aliado na discussão sobre o autismo
O cantor sul-coreano lançou livro e até ajudou a fundar um centro de pesquisas especializado no assunto.
Quando se fala em BTS, é comum pensar nos recordes e no impacto cultural. Mas, nos últimos anos, o integrante Min Yoon-gi, mais conhecido como Suga, tem construído um outro tipo de legado: o de aliado na discussão sobre o transtorno do espectro autista (TEA), usando a música como ferramenta de transformação social.
Esse movimento não surgiu de uma ação pontual, mas de um envolvimento contínuo do rapper. Quando Suga começou a falar abertamente sobre saúde mental em suas músicas, os fãs não imaginavam que sua atuação ultrapassaria o campo simbólico e chegaria a iniciativas concretas na área da saúde.
Em 2025, ele fez uma doação milionária (cerca de R$ 20 milhões) para criar um centro especializado em autismo no Hospital Severance, em Seul. Batizado de Min Yoongi Treatment Center, o espaço foi concebido para oferecer vários tipos de terapias, além de integrar pesquisa científica e atendimento clínico.
Outro diferencial é que Suga não se limitou ao papel de financiador. Ele participou ativamente do projeto, inclusive dando aulas de música para crianças atendidas pelo hospital. Esse envolvimento ajudou também a redefinir a percepção do público sobre celebridades em causas sociais. Menos imagem, mais presença.
A experiência prática no hospital levou à criação do programa MIND, sigla para Música, Interação, Rede e Diversidade. Desenvolvido em parceria com especialistas em psiquiatria infantil, o método utiliza atividades musicais para estimular habilidades sociais em crianças e adolescentes com TEA.
Nas sessões, os participantes cantam, escrevem letras, exploram instrumentos e trabalham a expressão emocional por meio do som — um caminho alternativo para comunicação, especialmente importante para pessoas no espectro autista. A iniciativa parte de uma ideia simples, mas potente, utilizando a música como ponte entre o mundo interno e o externo.
De artista a coautor científico
Em 2026, o projeto ganhou um novo capítulo. Suga foi creditado como coautor de um manual clínico baseado no programa MIND, utilizado em terapias para o desenvolvimento de habilidades sociais.
“Este livro não pode ser discutido sem mencionar Min Yoon-gi, e sua contribuição foi decisiva para tornar o programa uma realidade”, escreveu Chun Geun-ah, professora e pesquisadora que atua ao lado do cantor, no prefácio do livro.
A publicação formaliza algo raro no universo do entretenimento sul-coreano, a transição de um artista de k-pop para colaborador em um protocolo terapêutico. Ao lado de profissionais da área médica, ele ajudou a sistematizar uma abordagem que agora pode ser replicada em outros contextos clínicos.
A atuação de Suga no campo do autismo não é isolada. Ao longo da carreira, ele já abordou temas como depressão, ansiedade e vulnerabilidade emocional em suas músicas, contribuindo para normalizar discussões sobre saúde mental dentro e fora do universo do K-pop. Esse histórico ajuda a explicar por que seu envolvimento com o TEA soa coerente — não como estratégia, mas como extensão de um posicionamento já existente.
Ao unir música, ciência e ativismo, Suga amplia o alcance da discussão sobre o autismo para públicos que muitas vezes não têm contato com o tema. Seu papel como figura global transforma iniciativas locais — como um programa hospitalar em Seul — em pauta internacional.
Mais do que visibilidade, há um deslocamento de narrativa: o autismo deixa de ser tratado apenas sob a ótica clínica e passa a ser também uma questão de inclusão, comunicação e diversidade. No fim, o que Suga propõe é simples, mas poderoso, que é usar a arte não apenas para entreter, mas para criar novas formas de conexão.
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