Dylan O’Brien reflete sobre confiança nas telas: ‘Sou um ator mais tímido’
Em entrevista exclusiva à CAPRICHO, o ator comentou seu papel em Twinless, filme escrito e dirigido por James Sweeney
oucas relações são tão profundas quanto as que são compartilhadas entre gêmeos. Twinless, filme escrito e dirigido por James Sweeney, explora justamente os impactos que a perda de irmão pode causar na vida de alguém que nasceu e cresceu com aquela presença constante e intensa.
O diretor e roteirista divide o protagonismo da trama com Dylan O’Brien, que vive os irmãos Roman e Rocky, dois personagens de características muito diferentes, apesar da aparência idêntica. “Foi muito importante que eu me sentisse leve e bem nas roupas [do Rocky], isso foi essencial para interpretá-lo, ao contrário do Roman, que é um personagem, pessoalmente, mais confortável e instintivo para mim”, compartilhou o ator em uma chamada de vídeo exclusiva com a CAPRICHO.
Eu sou um ator mais tímido, essa característica é mais inata para mim.
Dylan O'Brien
Ambos os atores estavam em casa e transmitiam uma energia tranquila para a entrevista, que abordou detalhes muito intencionais que foram adicionados na história, que surgiu quando Sweeney descobriu a existência de grupos de apoio para pessoas que perderam seus gêmeos. Além disso, um livro de entrevistas também teve um papel importante para as relações apresentadas no longa.
“Entre as histórias, uma sobre dois gêmeos idênticos que eram mais velhos e nunca se casaram. A irmandade e a amizade, entre os dois me impactou muito. Foi muito específico por ser muito adorável”, comentou James.
Confira a entrevista completa com James Sweeney e Dylan O’Brien:
CAPRICHO: Vocês já comentaram que tudo nesse filme foi muito intencional. Existe algo que se destacou para vocês em termos de detalhes mais sutis que talvez as pessoas não tenham notado de primeira?
Dylan O’Brien: Essa é uma ótima pergunta.
James Sweeney: Sim, ia dizer isso. Foi muito boa [risos].
D: Quero pensar em uma boa resposta porque temos muitos detalhes assim. Você lembra de algo nessa linha?
J: Isso meio que vai contra a pergunta, mas teve uma pessoa que me disse que eu tinha muitos temas relacionados a tartarugas no roteiro. E eu pensei: “Espera, eu tenho?” Quando revisei, acho que tinham três referências à tartarugas. Acho que cortamos uma delas.
D: É uma pergunta muito boa, vamos continuar e espero terminar a entrevista com uma boa resposta.
J: Eu tenho uma legal que é o suéter que o Roman está procurando naquela cena com a Marcie.
D: Essa é uma boa.
J: É o mesmo suéter que ele está usando na foto do funeral, que aparece brevemente na tela. É aquele o suéter que ele procura.
CH: E, por falar em detalhes, muita gente comenta sobre o impacto do monólogo do Roman, só que existem outras duas situações que se destacam muito para mim. A primeira é logo no fim, quando ele dá aquele olhar específico ao descobrir que o Rocky contou para o Dennis sobre a infância dos dois e como ele era o “gêmeo bom”. E o segundo é quando ele olha para a Marcie e tudo se encaixa para ele. Dylan, qual é a diferença de refletir emoções em cenas de monólogo e cenas que não tem falas, apenas suas expressões?
D: Acho que é uma reação imediata tem muito a ver com a forma como isso é capturado em câmera. Sabe, eu acho incrível que tenham reconhecido esse momento no fim do filme, na cena da lanchonete. É muito legal ter algo tão sútil sendo reconhecido porque são essas coisas que, como ator, você internaliza e tenta refletir de uma forma muito humana. Quando você vê o resultado final, está lá, eternizado. Sou muito grato por isso e tenho que dar os créditos ao James sempre que esse momento é destacado. Sou muito grato porque, se o seu cineasta não enxerga isso, não chega no filme, sabe?
Então, ele não só percebeu isso na atuação, como também colocou a câmera no lugar certo para que nós, como público, pudéssemos sentir aquilo. E, depois, ele escolheu refletir sobre isso no filme. Sou grato por isso e demonstra o quanto posso confiar no James como meu diretor. Normalmente, a vida do ator é fazer algo assim e depois perceber que não foi notado. [risos]
J: Eu assisto tudo! [risos]
D: Essa foi minha resposta curta!
CH: James, você comentou que a ideia inicial do filme surgiu quando você descobriu sobre os grupos de apoio para quem perdeu um irmão gêmeo. Quando você estava escrevendo o roteiro, teve alguma história específica que impactou seu processo criativo?
[James começa a responder e o vídeo trava]
D: Ele está fazendo uma expressão pensativa muito boa ou alguma coisa aconteceu… Ele é um gênio, olha só! [risos] Acho que perdemos ele…
CH: Acho que algo aconteceu mesmo. [risos] Mas podemos continuar.
D: Sim, vamos! Eu ainda estou pensando em uma resposta para sua primeira pergunta.
CH: Eu tenho outra para você, na verdade. Você teve que se preparar para interpretar dois personagens diferentes e queria saber se teve algo na caracterização, além do bigode, que te ajudou nesse processo?
D: Eu tenho que dar os créditos para a forma como eles foram escritos no roteiro. Quando li pela primeira vez, percebi de cara que o Rocky era muito vibrante e impactante. As sequências dele eram muito dinâmicas e isso não mudou muito. E também tenho que reconhecer o trabalho da Erin Orr, nossa figurinista. Me lembro das primeiras provas de figurino do Rocky e como foram importantes para eu encontrar o estilo e os movimentos certos para ele.
Foi muito importante que eu me sentisse leve e bem nas roupas, porque isso foi essencial para interpretá-lo, ao contrário do Roman, que é um personagem, pessoalmente, mais confortável e instintivo para mim. Eu sou um ator mais tímido e essas coisas são mais inatas para mim. Já o Rocky, mesmo que eu tenha qualidades que as pessoas consideram compatíveis com o personagem, é mais difícil para mim. Então, roupas ou qualquer coisa que me faça sentir mais confiante, ajuda muito.
CH: Faz muito sentido. James, você está de volta?
J: Sim! Desculpe, minha internet morreu, não sei o que aconteceu. Mas eu estava falando sobre esse livro que ganhei de presente, não sei quanto você ouviu, mas tem esse festival anual em Twinsburg, Ohio, e teve essa pessoa, que era fotógrafa, que entrevistou vários gêmeos idênticos. Entre as histórias, uma sobre dois gêmeos idênticos que eram mais velhos e nunca se casaram. Eles dormiam na mesma cama e a irmandade, a amizade, entre os dois me impactou muito. Foi muito específico por ser muito adorável.





