Fãs contam como Chappell Roan virou a trilha sonora de suas vidas
De fantasia viral a viagem internacional, histórias mostram o impacto da voz de 'Good Luck, Babe!'
ascensão da Chappell Roan não foi nenhum pouco silenciosa e muito menos seguiu um caminho óbvio. Depois de anos orbitando a indústria, a cantora virou um dos nomes mais comentados do pop em 2024 com The Rise and Fall of a Midwest Princess e o fenômeno Good Luck, Babe!, impulsionando uma estética maximalista, teatral e profundamente ligada à cultura queer. Isso sem falar dos trechos virais de seus shows no TikTok.
Agora, a artista chega ao Lollapalooza Brasil 2026 para seu primeiro show no país cercada de expectativa e de fãs que acompanharam essa virada de perto (ou decidiram correr atrás dela, literalmente).
Para entender como esse impacto se traduz fora das plataformas, a CAPRICHO reuniu histórias de brasileiros que transformaram a obsessão pela cantora em experiências que vão de viagens internacionais a pequenos surtos coletivos.
Uma fantasia viral
Para Pedro Henrique Neves, 26, tudo começou com uma decisão de Carnaval que parecia simples, até não ser mais. “Eu viralizei no ano passado quando me fantasiei dela pro Carnaval. Twitter sendo Twitter, o meu post acabou saindo da bolha e foi uma das primeiras vezes que eu sofri hate pesado aqui.”
é casual? 🐴💗 pic.twitter.com/MygI3C3A7d
— pedro (@pedronevezz) March 1, 2025
O impacto veio rápido e doeu. “Eu fiquei meio triste de primeira, mas depois foi chegando tanta mensagem legal de apoio e de gente que tinha gostado da fantasia, inclusive de alguns portais da Chappell, que acabei me sentindo super acolhido.”
Mas foi dias depois que a história ganhou um plot twist digno de comédia romântica. “A cereja do bolo veio quando eu encontrei uma queridíssima em um outro bloco de Carnaval dias depois vestida de Chappell. Ela me reconheceu e falou que a minha fantasia tinha inspirado a dela! Quase morri de amores.”
“Foi nessa hora que eu me toquei que a arte da Chappell ultrapassa barreiras de gênero e sexualidade.”
where boys and girls can all be queens every single day 🐴💗✨ MAIS UMA CHAPPELL ROAN!!! pic.twitter.com/igI3yWiZcE
— pedro (@pedronevezz) March 3, 2025
Uma teoria maluca e uma viagem internacional
Se tem uma coisa que fã sabe fazer, é surtar com antecedência. E, no caso de Anelisa, isso virou passagem comprada. “O problema é que eu e minha amiga somos mente fraca, sabe?”, se apresentou.
Tudo começou com um pensamento, completamente hipotético, que saiu do controle. “Quando a Chappell cancelou uns shows em 2024 e falou que estava cansada por causa da saúde mental, eu virei para a minha amiga e falei: ‘e se ela nunca mais fizer show no Brasil que nem o Zayn?’. Fonte: vozes da minha cabeça. Mas foi o suficiente pra gente começar a ficar doida pra ver ela ao vivo logo.”
A solução? Um festival na Europa. “Piramos com o anúncio do Primavera Sound Barcelona com Chappell, Sabrina e Charli. A gente resolveu comprar”. Entre turismo e maratona de shows, veio o combo clássico: cansaço extremo e felicidade absoluta. “Todos os dias a gente ficava mortas de cansaço e com privação de sono.”
Mas valeu cada segundo. “Foi super emocionante, o show dela é incrível! Foi nosso favorito do festival. A voz dela é perfeita, a performance, tudo! E ela estava super emocionada.”
O final? Caótico, claro. “Tivemos que sair correndo na última música para conseguir pegar nosso vôo do meio da madrugada.” E quando o anúncio do Brasil veio, não teve dúvida. “E assim que a gente viu que ela ia estar no Lollapalooza Brasil a gente imediatamente comprou o ingresso pra ver ela.”
Quando o fã vira pauta
Às vezes, a relação com um artista começa antes do hype e, no caso deste repórter, virou pauta… e um leve surto criativo. Descobri a Chappell Roan no final de 2023, pouco depois do lançamento de The Rise and Fall of a Midwest Princess. A obsessão veio rápida o suficiente para virar matéria: escrevi um texto apresentando a artista na CAPRICHO quando ela ainda circulava mais como indicação cult do que como fenômeno pop.
Fomos um dos primeiros — se não o primeiro — veículo brasileiro a falar dela, em janeiro de 2024. Pouquíssimo antes da carreira dela explodir. O resto veio em efeito dominó: turnês, virais no TikTok e Good Luck, Babe! e HOT TO GO! no topo dos charts. Em junho daquele ano, entrevistei a cantora por oito minutos em uma chamada online. Tempo suficiente para um nervosismo desproporcional: era uma das minhas primeiras entrevistas em inglês e, claramente, eu senti.
Clique aqui para ler a entrevista completa. Falamos sobre Drag Race antes dela participar como jurada, de vinda ao Brasil antes dela ser confirmada no Lolla anos depois, e sobre como ela estava lidando com uma fama descabida em poucas meses.
@capricho CH ENTREVISTA CHAPELL ROAN 💕 | Uma nova amizade do pop vem aí? Chapell Roan contou com exclusividade para a CH sobre a interação com @arianagrande pelas redes sociais. Além disso, Chapell mandou um recado superfofo para seus fãs LGBTQ+ que vivem no interior: “O mundo é cheio de pessoas como você e mesmo que você se sinta pequeno e indefeso, há pessoas em todo o mundo que sentem o mesmo (…) Eu entendo vocês, escuto vocês e sinto vocês”, disse a cantora para a CH. 💫Leu até aqui? No site da CH vocês conferem a entrevista na íntegra com a cantora! ❤️🩹AjudaRS: No site e nas redes sociais da CH, nós te mostramos tudo o que você precisa saber para ajudar às vítimas da tragédia. #chapellroan #entrevista #chentrevista
Dois meses depois, no entanto, veio o verdadeiro teste de caráter. Na falta de camisetas da Chappell no Brasil, decidi resolver o problema com as próprias mãos (e um Canva gratuito). Criei uma estampa bem camp, cheia de referências visuais da Miss Piggy (peguei um TikTok gringo como inspiração), mandei produzir e aprovei sem pensar duas vezes. Ah, e importante: mandei para os meus amigos verem e todos amaram o design…
Quando a peça chegou, percebi o detalhe que mudou tudo: eu, que já tinha escrito o nome dela incontáveis vezes na CAPRICHO, tinha errado. Faltava um “p”. Sim, paguei de poser. E, sim, está doendo expor ela aqui, mas segue foto abaixo.
Desde então, a camiseta segue guardada no armário, como uma espécie de relíquia amaldiçoada. Quem sabe, com sorte e timing perfeito, ela ainda ganhe um final feliz: um encontro ao vivo e a própria Chappell corrigindo o erro com uma caneta.
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