KM2 De Luxo: nova turnê mostra evolução de Ebony e reafirma seu discurso

Com ingressos esgotados, Ebony convida mulheres do hip-hop para celebrar a chegada de um trabalho musical revisitado.

Por Rômulo Santana 13 abr 2026, 19h05 | Atualizado em 13 abr 2026, 20h37
E

m clima de show esgotado, Ebony estreou a KM2 De Luxo com participações das rappers NandaTsunami, Ciça e Shury, e os DJ sets de Miya B e LARINHX. Na apresentação realizada na última sexta-feira (10), em São Paulo,  a cantora reafirmou seu discurso a favor do fortalecimento do “rap feminino”, acompanhada por uma multidão que cantou em coro suas rimas e as de cada uma de suas convidadas.

O show realizado na Áudio, uma casa de espetáculos na Barra Funda com capacidade para cerca de 3.200 pessoas, marcou uma nova fase da turnê KM2, iniciada em setembro de 2025. O espetáculo ganhou uma roupagem inédita, com novos telões, trocas de figurino e um setlist recheado de hits da carreira da artista.

Família, a gente não vai cair em nenhuma armadilha, a gente não vai acreditar que só uma de nós [mulheres rappers] pode estar no holofote, certo? Espero que vocês entendam“, disse a cantora antes de cantar a diss track Espero que Vocês Entendam pela segunda vez.

“Diss track” é uma faixa típica do rap em que o artista critica abertamente outros nomes do mesmo gênero. Nesse caso, Ebony usa nomes de artistas do “mainstream” brasileiro, para direcionar seus versos ao público masculino do rap, que não apoia as artistas femininas da cena.

Na primeira vez, em que a faixa Espero que Vocês Entendam foi cantada, Ebony fez um discurso que viralizou nas redes socias, no qual a carioca compara a diferença de cachês entre as mulheres e os homens da cena.

Continua após a publicidade

Além disso, ela também criticou a falta de posicionamentos desses artistas diante do aumento da violência de gênero, assim como a falta de investimento deles em estrutura de shows — algo que ela e outras mulheres da cena têm buscado fazer.

“Estamos numa noite com uma line-up 100% feminina. Eu não me importo que vocês chamem de ‘rap feminino’. Não, eu quero de novo … Vou fazer um textão aqui agora”, começou Ebony.

“Não dá mais, chega! Fui ao show de um rapper outro dia com o microfone todo errado, um autotune esquisito… que história é essa? O cachê de vocês tá quase um milhão, p*. Eu não vou aplaudir stories de 15 segundos sobre feminicídio. Vocês estão ganhando dinheiro pra caralho e subindo no palco com um microfone e um sonho, vamos nos situar. Se quiser chamar de ‘rap feminino’, ótimo. Vocês fazem ‘rap masculino’ e tá tudo certo”, desabafou.

Ebony citou nominalmente mulheres como Duquesa, Slipmami, MC Luanna, MC Soffia, Tasha e Traice, Ajuliacosta, entre outras. Em seguida, o telão exibiu nomes como L7nnon, Djonga, Orochi, Kyan, Baco Exu do Blues, Major RD, BK, Puterrier e Borges — todos citados anteriormente na diss track, que foi gritada palavra por palavra pelos fãs presentes na Audio.

Continua após a publicidade

A CAPRICHO consegue enxergar uma evolução da performance de Ebony no palco, refinando algumas característica que já estavam presentes em suas apresentações antes da KM2 Tour, sua turnê anterior.

Sua presença de palco, o uso da voz sem efeitos e, sobretudo, o mesmo controle e segurança diante de diferentes multidões chamaram atenção — tanto no público deste show, quanto entre os adolescentes e adultos que compareceram à apresentação gratuita no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, na Zona Norte de São Paulo, em agosto de 2025.

Voltando para abertura do show, Lei da Atração, Festa do Pijama e Parte do Mundo, mostraram que Ebony talvez já tenha alcançado aquele status de “diva pop” que tanto desejava através das redes socias há pouco tempo atrás. São coreografias decoradas e executadas com precisão, uma setlist com músicas de todos os álbuns. Isso sem contar no bando de piadas internas entre ela e seu fandom.

Continua após a publicidade

Em certo momento, a cantora — que trocou de look três vezes ao longo do show — bebeu água no palco e brincou: “Pastora tem que hidratar as palavras”. Já na entrada do evento, várias garotas vestidas de freiras — em referência à faixa Não Lembro Da Minha Infância — abordaram o público oferencendo “orações”, nesse caso, a letra de Extraordinária impressa em papel parecido com folheto de igreja.

“É muito importante olhar para o futuro, mas também é importante voltar ao passado. Sejam bem-vindos a sua sessão gratuita de Terapia”, disse a cantora após performar a inédita Chefe (Nova Mentalidade) e levar os fãs à loucura introduzindo o disco Terapia, no qual aborda com bom humor questões relacionadas à saúde mental.

Entre elas, Pensamentos Intrusivos — que sempre causa uma comoção quando cantada ao vivo –, Hentai, Megalomaníaca, a dançante Paranóia e 100MILI. Sinceramente, nunca ouvimos tantas pessoas gritarem “Eu não tenho medo de homem” ao mesmo tempo.

Continua após a publicidade

Quando o assunto é KM2, os elementos sonoros do trem da Baixada Fluminense — que a gente já destrinchou por aqui — fizeram o público gritar “Baixada é cruel” logo na introdução do show, dançar ao som de Hongue He, chorar com Não Lembro da Minha Infância e ainda provar, em momentos à capela, que sabe de cor as letras de Kia e Extraordinária, hit no TikTok que soma milhões de plays no Spotify.

Antes da finalização em alto astral, a cantora se cobriu com uma bandeira LGBTQIAPN+ ao cantar Que Pecado!, seu feat com Carol Biazin, dizendo: “Essa é pra todas as lésbicas do Brasil” e “Eu te amo, Carol!”. Além do choro, quando ouviu a plateia dizendo “Ebony, eu te amo.”

Você está ouvindo em tempo real a ascensão de uma jovem negra

Ebony

+Quer receber as principais notícias da CAPRICHO direto no celular? Faça parte do nosso canal no Whatsapp, clique aqui.

Continua após a publicidade

Boxbraids: modelos de trança que vão bombar em 2026

Publicidade