O que o público amou na DragCon Brasil e o que pode melhorar na próxima
Entre elogios à estreia e pedidos por ajustes na estrutura, programação e divulgação, fãs contam o que pode deixar a experiência melhor
primeira edição da DragCon Brasil já entrou para a história. Nos dias 5 e 6 de junho, o Expo Center Norte, em São Paulo, recebeu a versão latino-americana da maior convenção drag do mundo, reunindo mais de 40 queens nacionais e internacionais em uma celebração que aconteceu às vésperas da Parada do Orgulho LGBT+.
Com meet & greets, painéis, apresentações, desfiles e experiências para os fãs, o evento entregou momentos inesquecíveis para quem acompanha a arte drag há anos. Mas, como toda estreia, também deixou espaço para aprendizados.
A CAPRICHO conversou com cinco pessoas que viveram a experiência de perto para entender o que mais funcionou e o que elas gostariam de ver diferente na próxima edição.
O sucesso das queens brasileiras foi um dos destaques
Se existe um consenso entre os fãs, é que as artistas brasileiras roubaram a cena. Para Talitta, ver as queens nacionais recebendo algumas das maiores filas do evento foi um dos momentos mais marcantes do fim de semana.
“Uma das melhores coisas da DragCon foi estar em um ambiente que respirava arte drag. Mas o que mais me deixou feliz foi ver o sucesso das queens brasileiras, com as maiores filas e demandas do evento inteiro”, contou.
A sensação de orgulho também apareceu em outros relatos. Yuri destacou que a convenção provou que as drags brasileiras conseguem brilhar tanto quanto qualquer estrela internacional. “As queens brasileiras mostraram para as gringas que não ficam nem um pouco para trás”, afirmou.
Programação e localização geraram dúvidas
Apesar da empolgação, muitos participantes sentiram dificuldade para acompanhar a agenda completa do evento. Entre as sugestões mais recorrentes está a divulgação antecipada dos horários de painéis, apresentações e atividades. Alguns entrevistados disseram que tiveram dificuldade para encontrar informações nas redes sociais e se planejar durante os dois dias.
“Para a próxima edição, acredito que possam melhorar na divulgação da programação, com mais antecedência e de forma mais completa”, comentou Talitta.
Já Maria Luiza relatou que acabou circulando diversas vezes pelos mesmos corredores por falta de sinalização mais clara. “Foi difícil se localizar. Eu ficava passando pelo mesmo booth várias vezes e também achei complicado descobrir os horários dos painéis.”
Mais espaço para circular
A organização do espaço também apareceu entre os principais pontos de melhoria. Enquanto alguns participantes elogiaram a estrutura visual, os palcos e a decoração, houve quem sentisse que determinadas áreas ficaram apertadas demais para a quantidade de pessoas presentes.
O palco Extravaganza foi citado como um dos locais com circulação mais difícil, enquanto outros espaços pareciam ter sido pouco aproveitados. Yuri acredita que a área reservada para o palco principal poderia ser reduzida para dar mais espaço aos estandes das queens. “O palco principal não ficava tão cheio e ocupava uma área enorme. Isso fazia com que as filas dos booths acabassem se misturando e dificultando a circulação.”
Acústica e logística também entraram na conversa
Outro tema levantado por quem participou da DragCon Brasil foi a experiência sonora. Segundo Vitor, o eco do palco principal dificultava entender parte das falas das apresentadoras e convidados. Além disso, a proximidade entre alguns booths e áreas de debates prejudicava conversas, entrevistas e gravações. “A logística e a acústica podem melhorar. Em alguns momentos era difícil entender o que estava sendo falado no palco.”
Mesmo assim, os relatos destacam que as filas funcionaram melhor do que o esperado e que as equipes de apoio foram bastante elogiadas pelo público.
Divulgação e expansão para o futuro
Por se tratar de uma estreia, muitos fãs acreditam que a DragCon Brasil ainda tem potencial para crescer bastante. Alguns entrevistados sentiram que o evento poderia ter alcançado mais pessoas com uma divulgação mais ampla e com a participação de mais artistas LGBTQIAPN+ conhecidos do grande público.
Também houve quem defendesse uma edição ainda maior, com mais atrações internacionais e novas experiências para os visitantes. “Que no próximo ano o evento fique ainda maior e mais maravilhoso do que já foi neste ano”, resumiu Marina.
O saldo final? Um começo promissor
Apesar das críticas construtivas, todos os entrevistados concordam em um ponto: a primeira DragCon Brasil foi um marco para a comunidade LGBTQIAPN+ e para a cena drag nacional.
Para quem cresceu acompanhando RuPaul’s Drag Race pela internet, encontrar artistas de diferentes franquias em solo brasileiro foi a realização de um sonho.
Entre pedidos por melhor sinalização, ajustes na estrutura, mais divulgação e uma programação mais acessível, fica a sensação de que a estreia foi apenas o primeiro passo de um evento que tem tudo para se tornar uma tradição no calendário do Orgulho em São Paulo.
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