‘Você tem que questionar a si mesmo’, diz Jessie Buckley sobre A Noiva!
Atores e diretora comentam movimentos culturais e sociais na reinvenção do universo criado por Mary Shelley
onfiante e dominando o próprio destino, A Noiva! de Maggie Gyllenhaal quebra expectativas e inspira liberdade em uma época marcada por padrões sociais, principalmente para mulheres. O mais recente filme da diretora de A Filha Perdida procura reinventar o universo Frankenstein, de Mary Shelley com uma busca incansável por identidade e verdade. Para isso, ela criou em um cenário que mistura aspectos góticos e um ritmo pop na construção da narrativa de uma personagem que marcou gerações sem nunca ter dito uma única palavra.
A faísca inicial do filme veio no meio de uma festa, quando a diretora viu uma tatuagem da personagem de Elsa Lanchester em A Noiva de Frankestein tatuada no corpo de um desconhecido. Apesar do destaque no título do longa de 1935, ‘a noiva’ aparece em uma sequência de apenas 2 minutos e não tem qualquer fala, mas seu grito de recusa e sua figura emblemática entrou para no imaginário do público e encheu a mente de Gyllenhaal de perguntas.
Foi Jessie Buckley que deu vida à versão que responderia muitas delas. “A verdade dessa personagem é uma jornada de descoberta. Eu não nasci sabendo exatamente quem era. Passei por muitos momentos vulneráveis e, às vezes, por sentimentos complexos e desconfortáveis, para descobrir e viver no meu eu mais autêntico”, contou Buckley em conversa com a CAPRICHO. “Isso é descoberto com o amor. O Frank não se cansa dela”, continuou a estrela de Hamnet.
Quem você é, quem você quer ser, o quão corajoso você é para abrir seu coração para as pessoas na sua frente?
Jessie Buckley
A Noiva não tem medo de expressar quem é. A protagonista não deixa que o mundo no qual renasceu decida seu caminho e está pronta para fazer o necessário para que escutem o que tem a dizer. Isso começa com sua decisão de estar com Frankenstein, ou apenas Frank, como é apelidado o personagem que ganhou vida na atuação de Christian Bale. Criada com o objetivo de ser companheira do solitário e vulnerável ‘monstro’, ela assume uma posição em que, na verdade, o escolhe como parceiro ao invés de aceitar o papel que foi estipulado.
“Acredito que [o amor para eles] é um abandono completo do passado debilitante deles. É não julgar as turbulências internas e sentimentos. É abraçar seu monstro interior”, complementou Bale sobre o relacionamento e a dinâmica Bonnie & Clyde da dupla. “Ela é o exemplo de alguém que não permite que o passado diminua a luz dentro dela, em sua própria vida e no futuro. E ele não teve nada disso antes.”
Eles realmente olham para a alma um do outro. E gostam do que vêem, sem pedir que mudem.
Christian Bale
A diretora também analisou as duas pontas do relacionamento, balanceando o fantástico com a realidade. “Existe o amor na fantasia. O lado Fred Astaire e Ginger Rogers. O amor no estilo Ronnie Reid. Nenhum amor que eu já tive se encaixa nisso. Do outro lado, temos A Noiva e Frank, que se amam no fim das contas. Mesmo que existam partes monstruosas deles, mesmo com as mentiras, mesmo com a violência, mesmo que exista raiva, eles se amam por completo. Acho que o amor verdadeiro tem que ter tudo.”
Autenticidade e verdade
Um dos processos da noiva está na tentativa de encontrar a verdade sobre seu passado e como isso afeta o presente e futuro. Existe uma mistura de ingenuidade e obstinação nesse movimento, que brinca com a coragem de olhar para dentro de si e encarar falhas e virtudes que definem quem você é e como você age diante de determinadas situações.
Buckley considera esse sentimento como o mais identificável na protagonista e relembrou também ter passado por muitos processos complexos para encontrar autonomia dentro de si. “Sendo honesta, é isso que significa ser humano. Você tem que embarcar nessa jornada de descobertas e realmente questionar a si mesmo,” disse a atriz.
Na busca pela verdadeira identidade, A Noiva aprende a ignorar normas que querem ditar seu caminho ou como ela deveria se comportar. “Já teve a sensação de que o mundo está te dizendo que você é um pouco demais? Acredito que ela não está ouvindo essa voz. Como ela nasceu como uma mulher adulta, ela não tem todos aqueles filtros e coisas que nos dizem a vida toda”, afirmou Maggie.
“Ela tem um tipo de liberdade que não sei se qualquer uma de nós pode sentir da mesma maneira, quase super-heroína, que ela sente. Acredito que ela é uma inspiração para lembrarmos que somos quem somos. Você vai aguentar isso?”, completou.
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