Aplicativo de moda Doji gera polêmica ao distorcer imagem dos usuários

Provador virtual em 3D que cria avatares para testar looks de grife virou febre e levanta debates sobre autoestima e falsa sensação de posse

Por Sofia Duarte 13 Maio 2026, 17h00
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á imaginou como você ficaria com um look que acaba de ser desfilado pela Chanel? Ou como seria usar um vestido icônico do Met Gala? Essa é a proposta do Doji, aplicativo que funciona como um provador virtual em 3D e que se popularizou nas redes sociais, levantando também o debate do uso de inteligência artificial na moda.

O que é o Doji e para quê serve?

Desenvolvido por Dorian Dargan e Jim Winkens (daí o nome Doji), que trabalharam na Apple e Meta (Dargan) e Google e DeepMind (Winkens), o aplicativo do momento cria um avatar dos usuários a partir das suas selfies e fotos de corpo inteiro. Depois que a sua versão digital fica pronta, você pode escolher roupas e acessórios de marcas de luxo para experimentar e até importar links de peças que não estão na plataforma para compor visuais diferentes.

Além de fazer compras dentro do aplicativo, é possível compartilhar as produções com amigos, e, aí, o Doji se torna uma rede social com vida própria. Mas a galera também está compartilhando o resultado em seus perfis do Instagram, X (antigo Twitter) e TikTok.

A popularização que a novidade teve entre fashionistas se deve ao nível de realismo do avatar e à praticidade de ‘provar’ virtualmente antes de decidir pela compra. O sucesso se relaciona, portanto, com o desejo por um look de grife, mesmo que, na maioria dos casos, não haja poder aquisitivo para, de fato, tê-lo em mãos.

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“Moda é para ser divertida. Mas, em algum lugar no meio do caminho, comprar roupas online virou cansativo ao invés de empolgante. Nós acreditamos que há um jeito melhor, que celebra a criatividade e a autoexpressão”, escreveram os fundadores em uma publicação no Instagram.

Quais são as controversas?

Existem duas principais discussões polêmicas que o aplicativo gera. A primeira delas envolve a problemática de gerar uma falsa sensação de posse, uma vez que os itens de luxo são inacessíveis para a maioria da população.

“Ter instalado o Doji me deu depressão. Meu Deus, queria todas as roupas do mundo”, escreveu uma pessoa no Twitter. “Por que fui baixar o Doji? Eu tô completamente obcecada por uma bota de 2.480 dólares”, disse outra. “Tô amando tanto fazer styling no Doji e viver uma fantasia com peças de grife que nunca terei acesso”, comentou mais uma.

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A outra controversa diz respeito a como o Doji pode afetar a autoestima dos seus usuários. Isso porque, apesar de o avatar ser realista, ele ainda é editado e, por isso, tem limitações, causando mudanças no corpo, o que pode provocar distorção de imagem. Mesmo enviando suas fotos reais, parece que a IA tem a tendência de criar versões magras e ‘padronizadas’.

“Amei o Doji, nota zero para a distorção de imagem que está me causando”, desabafou uma pessoa. “E esse aplicativo Doji que não reconhece corpos reais”, apontou outra.

O aplicativo, que já recebeu um investimento de 14 milhões de dólares, foi comparado à tecnologia do closet da Cher em As Patricinhas de Beverly Hills (1995) e ao jogo Stardoll, em que você podia vestir a sua própria boneca.

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