KATSEYE usou looks de macramê brasileiro no palco do Lollapalooza Brasil

Francisco Terra, da Maldito Paris, falou com a CAPRICHO sobre como pensou em trazer a personalidade das integrantes e identidade brasileira para o palco.

Por Andréa Martinelli 27 mar 2026, 19h38 •
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primeiro show do KATSEYE no Brasil, no Lollapalooza 2026, foi daqueles momentos que misturam estreia, expectativa e conexão imediata com o público, que estava mais do que ansioso para viver a primeira vez das meninas no Brasil. Mas teve um detalhe que fez toda diferença no palco: as roupas das artistas chamaram atenção não só pelo impacto visual, mas também pelo conceito por trás de cada detalhe, com mãos brasileiras envolvidas.

Quem assina as peças é Francisco Terra, estilista e diretor criativo da marca Maldito Paris; em colaboração com Camila Pedroza, que foi responsável pelas peças em macramê azul utilizada nos looks. Terra conversou com a CAPRICHO sobre o processo criativo e afirmou que as escolhas se basearam em trazer um spoiler do próximo desfile da marca, e uma despedida também de 2025. 

“Eu queria que o público sentisse o calor do Brasil e do brasileiro nos looks”, explica. “Por isso esse azul, da cor do céu mais lindo do mundo. Por isso os maiôs e biquínis dos nossos infinitos quilômetros de costa. Por isso o artesanato do macramê em colaboração com Camila Pedroza.”

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É ela a responsável por todo o trabalho manual das peças. “As peças que elas usaram são um desdobramento de dois looks que tive o prazer de construir e confeccionar a partir dos desenhos do Francisco para a coleção da Maldito, apresentada em Paris”, disse Camila em conversa com a Vogue Brasil. “A gente gosta dessa roupa mais ajustada ao corpo. É sexy e sofisticada porque tem um trabalho de muitas mãos ali. É um orgulho enorme ver essas peças usadas por elas.”

O ponto de partida foi o azul-turquesa, que remete imediatamente ao mar, mas nas peças aparece com acabamento artesanal, principalmente no uso do macramê, uma técnica de tecelagem manual que utiliza apenas nós e tramas, sem o uso de agulhas ou máquinas. Ele funciona não só como uma peça de roupa, mas também como um acessório, quase como uma jóia têxtil no look das integrantes.

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Cada integrante ganhou um olhar próprio dentro desse universo. Reprodução/Maldito Paris/Divulgação

Nas partes de cima, as peças variam entre bodies estruturados, tops recortados e construções vazadas, equilibrando sustentação e exposição, com tramas abertas, franjas e até corsets ou maiôs. O contraste da delicadeza do macramê entra no uso do jeans desconstruído em saias curtas e aplicações que trazem peso ao look, como as botas, que são um verdadeiro statement, feitas também em denin.

Ao mesmo tempo, cada integrante ganhou um olhar próprio dentro desse universo. Francisco conta que mergulhou no repertório individual das artistas para construir peças que conversassem com suas personalidades de Sophia Laforteza, Daniela Avanzini, Lara Raj, Megan Skiendiel e Jeung Yoonchae.

“Eles [os looks] foram pensados de maneira individual na sua forma. Eu li e assisti a muitas entrevistas com cada uma das meninas e tentei ao máximo responder às particularidades e gostos de cada uma delas”, revela. “A cor e os materiais seriam suficientes para trazer a unidade, então eu pude ser mais livre nas criações e ser mais individualista com a personalidade de cada uma.”

E a proposta não surgiu do nada, viu? Segundo Francisco, a conexão estética com o grupo já existia antes mesmo do projeto começar. “Eu tive muita liberdade criativa da parte do João Moraes, diretor de imagem da banda. Acho que ele escolheu a Maldito porque as estéticas já se encontravam, então os desafios foram em outros lugares”, conta.

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O que eu mais quis misturar foram as referências brasileiras. Nós somos, por si só, um melting pot de várias culturas, e respeitar essa nossa riqueza cultural já é fazer uma referência à riqueza sonora do grupo

Francisco Terra, da Maldito Paris

E esses desafios vieram, principalmente, da performance. Com coreografias intensas e cheias de movimentos, era preciso que a moda acompanhasse o ritmo, sem perder o conceito e sem deixar de passar a mensagem: elas estavam no Brasil, vestindo peças pensadas, desenhadas e executadas por brasileiros.

“Justamente, o maior desafio foi adaptar as coreografias das meninas, que são supercomplexas”, diz. “Com essa necessidade vieram inúmeras versões, e a equipe foi muito importante em me guiar nas escolhas certas de modelagem e materiais. Tanto o jeans curto quanto as lycras foram as peças-chave que fizeram com que tudo funcionasse na dança.”

Mais do que criar figurinos bonitos, a missão era traduzir uma identidade. E, nesse ponto, a brasilidade aparece como fio condutor, mas sem cair no óbvio. “O que eu mais quis misturar foram as referências brasileiras. Nós somos, por si só, um melting pot de várias culturas, e respeitar essa nossa riqueza cultural já é fazer uma referência à riqueza sonora do grupo”, explica.

Em uma publicação nas redes sociais, em que a marca fala sobre ter vestido o grupo, elas comentaram em português: “Muito obrigada por criar algo tão lindo e especial para o nosso show. Até a próxima, Brasil!”. 

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Mas não foi só no Brasil que o grupo escolheu uma marca brasileira para usar no palco. Antes de desembarcar por aqui no Lollapalooza, o Katseye usou peças da SSJHENI, marca de upcycling que já vestiu até Anitta, viu? Todas as peças foram produzidas para serem usadas no show do grupo na Colômbia e levaram as cores da bandeira do país latino americano.

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