Meta muda algoritmo para evitar excesso de conteúdo a adolescentes
Novas decisões também envolvem dar mais controle restritivo para os pais e responsáveis nos perfis. A gente te explica o que muda.
Meta anunciou, nesta terça-feira (2), novas medidas para as Contas de Adolescente no Instagram. A principal novidade é uma ferramenta interna que, mesmo ainda em teste, pretende impedir que adolescentes sejam expostos repetidamente a determinados tipos de conteúdo, como publicações sobre dietas, musculação, emagrecimento ou ansiedade.
A mudança surge em meio à implementação do ECA Digital aqui no Brasil e a condenações internacionais da empresa, após discussões globais sobre os impactos das redes sociais na autoestima e na saúde mental de jovens, especialmente quando o consumo excessivo de determinados conteúdos pode reforçar inseguranças ou comportamentos inadequados.
A empresa também anunciou uma opção ainda mais restritiva chamada “Conteúdo Limitado”, voltada para famílias que desejam controles adicionais sobre o que os adolescentes podem visualizar na plataforma.
Agora, essas configurações estão sendo ampliadas globalmente e também chegarão ao Facebook e ao Messenger. A opção deve ser disponibilizada nesses aplicativos ainda este ano. A Meta afirma que tem consultado famílias para avaliar se os conteúdos recomendados aos adolescentes são apropriados.
De acordo com a empresa, centenas de milhares de pais participaram de pesquisas que analisaram mais de 15 milhões de publicações recomendadas para jovens. Em uma das avaliações mais recentes, realizada nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Canadá, menos de 2% dos conteúdos exibidos no Facebook foram considerados inadequados pela maioria dos responsáveis consultados.
O que muda a partir de agora, CAPRICHO?
Vamos lá. A Meta reconhece que alguns temas como os que citamos anteriormente podem ser úteis quando aparecem de forma pontual nas redes sociais. Afinal, conteúdos sobre alimentação saudável, exercícios físicos ou saúde mental, por exemplo, podem oferecer informações relevantes, né?
Mas o problema, na visão da empresa, é quando o algoritmo passa a recomendar muitos conteúdos semelhantes em sequência e utiliza os temas para difundir trends como a do “Magras, Magras, Magras”, que circulam livremente com a mensagem de que o desejo de “ser magra” deve ser algo a perseguir.
Nos últimos anos, redes sociais têm enfrentado pressão crescente de pesquisadores, autoridades e famílias para criar ambientes mais seguros para adolescentes. Questões relacionadas à saúde mental, padrões de beleza, desafios virais perigosos e exposição a conteúdos sensíveis estão no centro desse debate.
A nova ferramenta em teste pretende limitar a repetição desse tipo de publicação em áreas como Explorar, no Feed e também no Reels. A ideia, explica a Meta, é equilibrar as recomendações para evitar que a nossa galera fique consumindo apenas conteúdos relacionados a um único assunto de forma repetida.
Com as novas mudanças, a empresa tenta mostrar que está ampliando as barreiras de proteção para usuários mais jovens, ao mesmo tempo em que busca equilibrar a personalização dos algoritmos com preocupações sobre bem-estar digital.
No Brasil, as Contas de Adolescente chegaram ao Instagram em março deste ano. Elas trazem configurações de proteção ativadas automaticamente para usuários menores de idade.
Entre essas medidas está a chamada configuração de conteúdo “13+”, inspirada em sistemas de classificação indicativa usados em filmes e séries – uma exigência do ECA digital, viu? O objetivo é reduzir a exposição de adolescentes a conteúdos considerados mais sensíveis ou voltados para públicos mais velhos.
Instagram teve menos conteúdo “maduro”, diz teste
A Meta também divulgou os resultados de uma avaliação independente realizada pela Alice, uma organização especializada em segurança online. O grupo criou contas de teste em diferentes plataformas e comparou a quantidade de conteúdos considerados mais adequados para públicos maduros que apareciam para adolescentes.
Segundo o relatório, as Contas de Adolescente do Instagram exibiram 68% menos conteúdos classificados como “mais maduros” em comparação com um concorrente analisado. Já as contas configuradas no modo Conteúdo Limitado visualizaram 96% menos desse tipo de material.
O estudo também concluiu que, quando conteúdos mais sensíveis apareciam no Instagram, eles tendiam a ser menos intensos do que os encontrados em outras plataformas avaliadas. Além disso, o Instagram bloqueou buscas relacionadas a termos considerados mais sensíveis com mais frequência do que o concorrente analisado.
A auditoria também apontou alguns pontos que precisavam de ajustes. Um deles envolvia contas que compartilhavam regularmente conteúdos inadequados para adolescentes e que ainda conseguiam escapar de alguns filtros da plataforma. Após a identificação do problema, a Meta afirma ter atualizado seus sistemas de detecção.
Outra situação envolvia vídeos relacionados ao chamado “car surfing”, prática perigosa em que pessoas sobem em veículos em movimento para gravar conteúdos para as redes sociais. A empresa reconheceu que esse tipo de publicação ainda não estava contemplado por suas políticas para adolescentes e informou que passou a restringi-lo também.





