Guia para construir um feed anti-misoginia e se proteger dos ‘red pills’
Temos dicas para fugir e não alimentar conteúdos que normalizam desrespeito, controle e ódio contra as mulheres nas redes sociais
nfelizmente, o ambiente digital é bem fértil para expansão de movimentos misóginos. E, mesmo que você não concorde com as ideias desses grupos, os discursos machistas, violentos, regados de masculinidade tóxica que eles propagam podem chegar até você. Por isso, é importante ficar atento para se proteger deles.
Primeiro, é preciso entender o que são esses movimentos misóginos. Já explicamos aqui na CAPRICHO que os red pills defendem a errônea ideia de que o feminismo é o contrário do machismo, ou seja, prega a superioridade das mulheres. Esse movimento, que acredita que o sistema favorece as mulheres, bebe da fonte Matrix, sucesso do gênero sci-fi de 1999. No filme, o personagem Neo (Keanu Reeves) precisa escolher entre uma pílula azul e outra vermelha. No longa, a pílula azul significa continuar vivendo na ilusão e na ignorância enquanto a vermelha liberta a pessoa do mundo imaginário, dando-lhe uma dose de consciência.
Na visão dos “redpillados”, as mulheres são infiéis, sem caráter e interesseiras e, consequentemente, devem ser tratadas como tal. Logo, não são feitas para namorar ou casar, sendo vistas como manipuladoras.
Aprenda a identificar os conteúdos misóginos no feed
Sempre que ver um vídeo ou ler um post, vale ativar o olhar crítico sobre as ideias por trás dele. Esse conteúdo coloca homens contra mulheres? Incentiva o controle, o ciúme excessivo ou a manipulação? Humilha ou objetifica uma mulher, falando da sua aparência ou das suas atitudes? Reduz relacionamento a jogos de poder, não em relações de respeito? Se um conteúdo ensina que você precisa manipular, testar ou “vencer” alguém, já é uma grave red flag, viu?
É importante também tomar cuidado com generalizações do tipo “toda mulher é…”, seguidas de adjetivos que desumanizam ou geram ódio ao sexo feminino. Sempre questione se o que está sendo dito promove respeito ou divisão.
Atenção: muitos desses conteúdos misóginos podem vir disfarçados de piada. Um exemplo é a trend ‘treinando caso ela diga não’, que viralizou recentemente e virou alvo de investigação da Polícia Federal por incitar violência contra a mulher.
+ Incel, 80/20, sigma: conheça os termos usados pelos movimentos misóginos
E o que fazer se você se deparar com esses conteúdos misóginos nas redes?
Não pense duas vezes em silenciar, deixar de seguir e bloquear perfis e páginas que propagam misoginia nas redes, certo? Você ainda pode clicar em “não recomendar” para mostrar para a plataforma que você não quer esse tipo de conteúdo no seu feed.
Cuidado com o algoritmo!
Ei, nada de mandar para os amigos, mesmo que seja por indignação, para mostrar o absurdo que está sendo falado. Isso pode ajudar com que engajamento do vídeo ou do post tenha maior alcance e chegue em outros jovens. Afinal, tudo o que você curte, comenta, assiste até o fim ou compartilha a plataforma pode entender que você gostou. Então, mesmo que você esteja ali só para “odiar” um vídeo misógino, o algoritmo entende como interesse. Por isso, não interaja: converse com o tema e alerte seus amigos, mas sem amplificar o conteúdo.
E se você descobrir que um amigo ou alguém próximo está consumindo e compartilhando conteúdo red pill, vale tentar conversar com a pessoa e alertar sobre a gravidade daquilo.
Mais do que só bloquear as ameaças, é importante seguir perfis que falam sobre relacionamentos saudáveis, que exaltam mulheres e que educam. Assim, você também mostra para o algoritmo o conteúdo que você quer no seu feed.
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