O que é doomscrolling e como ele pode afetar sua saúde mental?

A prática consiste em consumir obsessivamente notícias ruins, que pode agravar quadros de ansiedade, estresse e tensão pela sensação de perigo constante

Por Mavi Faria 15 jan 2025, 16h00
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esastres ambientais, guerras, embates políticos, crises humanitárias e de saúde pública, saúde mental desgastada… Abrir veículos de notícia e até mesmo as redes sociais, hoje, é se deparar com no mínimo uma postagem sobre alguns desses assuntos.

Temas mais negativos sobre a sociedade não são uma novidade de agora nem estão sendo exagerados pelas mídias, mas você já chegou a pensar, nem por um momento, que só parecia haver notícias ruins? Ou se sentir tão obcecados com as tragédias humanas que não conseguia consumir um conteúdo mais leve? Se sim, você é mais uma das pessoas que experimentaram o doomscrolling.

A prática designa o ato de consumir compulsivamente notícias ruins e trágicas, este em alta principalmente durante a pandemia, quando todos os noticiários e conversas se voltavam para a Covid. Em 2020, inclusive, o termo doomscrolling foi um dos destaques do ano pelo Dicionário Oxford.

A expressão é a mistura das palavras em inglês doom, que significa ruína e scrooling, que é o ato de rolar o feed das redes, ou seja, a prática de rolar notícias trágicas e consumir este tipo de conteúdo. Nas últimas semanas, o termo tem voltado à tona, especialmente pelas tragédias climáticas como os incêndios na Califórnia, pelas guerras mundiais e embates políticos, além dos contínuos reflexos na saúde mental de quem esteve em função do doomscrolling na época e agora.

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Em nota no portal da Universidade de Medicina de Harvard, o professor de psiquiatria, Richard Mollica, alertou sobre o impacto na saúde mental de quem fica obcecado com esse tipo de notícia, além da própria saúde física do indivíduo. 

Segundo o professor, no doomscrolling, a pessoa fica “extremamente vigilantes e obcecados com o perigo. Quanto mais você rola o feed, mais você sente a necessidade de fazer isso”, e quanto mais obcecado, maior é o estresse e a ansiedade. O vício, neste caso, se apresenta pela preocupação sufocante que a pessoa sente sobre as temáticas que lê, e ela entra em um estado de alerta e estresse extremo, como se todas as coisas ruins pudessem acontecer com ela.

A noção dos perigos para a saúde também foi alertada por uma pesquisa publicada no periódico científico Health Communications, onde voluntários declararam o efeito negativo em sua saúde após consumirem compulsivamente notícias ruins.

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Dos 1.100 voluntários questionados pela pesquisa, 16,5% deles indicaram problemas na saúde mental como estresse, ansiedade e tensão, piorados ou iniciados a partir do consumo excessivo de notícias ruins, que os deixou em alerta constante.

Como combater o doomscrolling?

Na pesquisa, é sugerido que os voluntários afetados pelo doomscrolling se afastem das redes sociais, em especial de onde consomem as notícias trágicas, como em um processo de limpeza do vício. A intensidade das notícias ruins, segundo os especialistas, perde força quando a pessoa volta os olhos para o mundo real e vê que os perigos que a deixavam tão ansiosas não são, necessariamente, como a mente dela havia criado.

A dica é a mesma entre quem consume muita internet e acaba vivendo mais tempo no mundo virtual do que no real – o que faz todo sentido, já que no doomscrolling, a onda de notícias trágicas agrava ainda mais a situação. Por isso, afastamento gradativo desse hábito e a aproximação de atividades da vida real, seja um exercício físico, seja um momento de qualidade com a família e os amigos, pode efetivamente diminuir os sintomas de ansiedade e estresse.

E você, já conhecia o doomscrolling ou se sentiu repetindo a prática?

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